30 de dez. de 2009

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Fim de ano

A bola de cristal



Janeiro 2007
Faz dentro de dias 3 anos que escrevi um artigo com o título de “PAC, PAC, PAC” comentando o grande pronunciamento de sexa big líder, que afirmava, na sua rouca voz aloolisada, que o Brasil ia finalmente deslanchar, ao fim de mais de 500 anos, com o esplendoroso programa PAC –Programa de Aceleração do Crescimento – onde o (des)governo iria investir 500 bilhões de reais, para o que não dispunha nem de 30!

Como entrava pelos olhos dentro, daqueles que têm olhos, como é óbvio, era uma deslavada mentira, uma afronta aos que por azar têm um mínimo de capacidade de refletir e pensar.

É verdade! São passados 3 anos, e constata-se, em números divulgados pelo mesmo (des)governo que dos 12.520 – DOZE MIL QUINHENTOS E VINTE – projetos/obras do tal PAC, até hoje não se completou mais do que 9,8%.

Não é nem vergonha! É caso de polícia. Quando um estelionatário engana um incauto, tem ocorrência policial, julgamento e prisão (prisão se o golpe for pequeno. Grande... já vamos ver!). Aqui, no país do faz-de-conta, o indivíduo tem 70 ou 80% de aprovação da população!

É verdade e, podem escrever, jamais se vão cumprir 20% que seja desse programa vigarista!



Abril 2009
Grande reboliço nos órgãos de informação: um juiz e um delegado da polícia prenderam, com grande aparato – televisão, rádio, repórteres de toda a informação, etc.- um banqueiro chamado Daniel Dantas, bilionário, porque teria feito (fez quase de certeza um monte de trambiques!), e que também... só havia dado ao minino lulinha, um dos filhotinhos de sexa big líder, um monte de milhões que o transformou, da noite para o dia, de faxineiro zoológico em latifundiário, com milhares de cabeças de gado, e mais um total de área de fazendas de largos milhares hectares, etc.

Quem nós imaginávamos que tinha esse poder “transformatório” era só a fada madrinha com a sua varinha mágica. Mas aqui não. Qualquer um que tenha dinheiro, transforma o maior miserável filhinho de big líder em grand seigneur (salvo seja!). Esses filhos de... são muito humildes e aceitam qualquer quantia que se lhes dê, de preferência... muita! Se for necessário, e enquanto a grana não emigra para paraísos fiscais – que apesar da pressão do Obama continuam operando “na maior” – transportam-na nas cuecas, meias etc.

Mas diz esse texto de há oito meses que, como o “doador e o recebedor” eram recíprocamente muito agradecidos, iria acabar tudo em pizza! Io te do una cosa a te, tu me dai una cosa a me!

Processo judicial complexo, prende-se o banqueiro, solta com hábeas corpus, prende o banqueiro, solta com hábeas corpus (não fui eu que repeti!), prende o banqueiro. E segue o processo no SUPREMO e “o da grana” na cadeia.

É verdade. Finalmente o processo foi anulado no supremo tribunal de justiça (justiça ?) porque segundo o parecer dos supremos doutos, todos amigos do big... o processo estaria mal configurado (nem sei como se diz isso em advocacia), que se obtiveram escutas e outras provas ilicitamente, etc. O tal Dantas acaba de ser libertado.

O lulinha continua milionário e o papázinho dele só tem que pensar nos outros filhotinhos, se é que não estão já todos cheios da grana! Devem estar.

Moral da história: acabou ou não em pizza?




Qualquer mês de 2002

Os americanos vão à guerra no Iraque. A minha filha que vive em Londres fica preocupada porque o senhor Blair alinhou logo, disse que o Saddam tinha montes de bombas de destruição em massa, e manda uns milhares de jovens para o açougue do senhor butcher.

Pergunta a minha filha: “Pai o que é que vai acontecer com esta guerra?” A resposta foi simples: “O que toda a gente já sabe! Os americanos “ganham” a guerra em dois tempos, e depois de semearem o caos no Iraque, não vão saber como sair de lá.”

A bolinha de cristal, nessa ocasião nem precisou de grande esforço para “prever o futuro”, tal como hoje ela sabe perfeitamente que a guerra no Afeganistão, estejam lá 100 ou 200 mil soldados, não tem como ser ganha!

Já morreram milhares de americanos, ingleses, franceses, etc., vão morrer muito mais e um dia, talvez daqui a dez ou quinze anos, esta tropa toda vai de lá sair com o rabinho entre as pernas.

Há guerras que não têm fim. Estas duas são desta “qualidade”.



Podia continuar a transmitir-vos o que diz a minha bola. Mas para que falar do conflito israelo-palestino, do Yémen, do Sudão, da Somália e do arsenal atômico do Iran, quando já se antevê, quase a olho nu, as catástrofes que estão para vir?



O que vale é que, com ou sem acordo de Copenhague, aqui no Brasil, ainda pouco se sentem estas desgraças.

Ficamo-nos com as vigarices, trafulhices, governices corruptas e outras verdadeiras maravilhas brasilienses que por vezes nos fazem esquecer ou disfarçar a vergonha da nossa política.
Quem dera que se pudessem realizar os votos que, nesta quadra milhões de pessoas enviam: "Que 2010 traga paz!"

30.jan.09






















23 de dez. de 2009

Hamlet



ou a omelete dinamarquesa


No frigir dos ovos... “tudo como dantes no quartel de Abrantes!”
Só politicalha! Ninguém se compromete perante os seus eleitores ou súbditos, como o caso da China, e o mundo que se lixe!
Até o “super messias” Obama, teve que dar o recado que possivelmente não queria, mas que o congresso mandou!
Que se dane o futuro, que se danem os países emergentes e os, em breve imergentes, como as Maldivas, mas sempre “primeiro a mim” e, se sobrar, aos outros. Só que, por este andar, nada vai sobrar. Ninguém quer ficar de rabo preso.
O terceiro mundo diz que são os ricos que devem pagar a conta, os grandes emergentes insistem que o desenvolvimento passa invariavelmente pela fase da destruição, a Europa num desequilíbrio completo - a maioria dos países em extrema dificuldade - sem saber o que dizer, o teatro segue e baixa o pano com lágrimas não de emoção pela arte dos atores, mas pela falsidade dos mesmos.
Tal como o Hamlet, e vem muito a propósito pela geografia do encontro, acabamos de assistir a uma grande encenação teatral, a um drama profundo. Só do Brasil foram mais de 800 atores! 800! Para que? Para verem a representação do big líder que foi até aplaudido pelos restantes comediantes.
E plagiando o drama de Shakespeare tivemos ali todos os elementos duma grande peça: traição, vingança, incesto, corrupção e moralidade.
Traição à vida que está em jogo. A vida de todos os seres vivos deste planeta. Vingança da politicalha, sobretudo dos opositores que sempre estão no melhor lugar para falar mal e nada concretizar. Incesto... porque vão em cima dos irmãos! Corrupção... evidente, e alguma moralidade, normalmente falsa, como a demagogia, como do big lider brasileiro a propor oferecer dois bilhões de dólares para ajuda aos países pobres, quando parece “ignorar” que no seu (dele) país falta, MUITO, o ensino básico de qualidade, saneamento, justiça, etc., e continuam a vegetar milhões de pobres. E, no encontro contra a poluição do planeta, ainda vai autorizar a construção de cinco usinas termo-elétricas!
Mas foi aplaudido e isso traduz-se em prestígio, mesmo todos sabendo a mentira, a afronta que representa.
Pode dar os milhões aos países pobres. Mas também esqueceu um ligeiro detalhe: que a mão esquerda não saiba o que faz a direita. E neste caso só interessa o que a “mão direita” prometeu. Não o que fez.
194 países à espera que o Papai Noel trouxesse no seu trenó um monte de presentes climáticos. Mas as renas... fizeram greve!
A pergunta que no fim desta caricatura mundial ficou no ar foi a mesma:
- To be or not to be?
To be o quê? Foi isso que ninguém soube ou quis responder! To be responsável.


22.dez.09

17 de dez. de 2009

NATAL

A época do Natal tem pelo menos uma vantagem: algumas pessoas que vivem “escondidas” o ano inteiro aparecem para desejar “Boas Festas” e assim não se deixarem cair num esquecimento completo.
É, de qualquer modo, sejam as intenções boas ou simplesmente “obrigatórias”, saudável esta troca de votos.
O problema é que sempre esquecemos alguém, por vezes um dos amigos mais queridos, não porque estivesse fora do nosso coração, mas porque... porque... esqueceu!
Desta vez achei mais fácil mandar um abraço a todos aqueles que quiserem abrir este bolg que, se tem sido um meio de expor a minha indignação perante tamanha sem vergonhice dos dirigentes, também me permite volta e meia trocar idéias “africanas”, e não só, com muita gente.
Em vez de mandar aqueles e-mails com sininhos, meninos e meninas cafonas a cantar umas cantiguinhas que ninguém já suporta, pensei que este seria o melhor caminho para vos, dizer, aos que estão a ler, quanta falta me faz a vossa companhia, seja de amigos de há muito ou de alguns que nunca conheci.
Todos fazem falta. Não somos todos irmãos? Não temos mais afinidade ou entendimento com uns irmãos do que outros? Não temos uma imensa quantidade de irmãos que nada têm de genética - recente - conosco, e com quem tanto nos identificamos?
Nós acabamos de ganhar um neto cuja existência simplesmente sabíamos, e sempre entendemos que jamais deveríamos intervir na família que o deu à luz e educou. Mas agora, com 27 anos, tomou conhecimento de quem era o seu pai biológico, apareceu, reunimos a família carioca, fizemos-lhe uma festa de recepção, e veio viver conosco!
Há pouco tempo, por coincidências internéticas, surgiu um “parente”, que vive em Montevidéu, sabendo que haveria na sua “árvore genealógica” alguns nomes da nossa família! Estudadas as “árvores” constatámos que temos um antepassado comum que viveu há cerca de 300 anos e é o nosso 11º avô, basco!
E se Adão e Eva são figuras metafóricas (apesar de, seguindo a minha genealogia que vem já na Internet, chegar a esse simpático casal !!!), não é verdade que somos todos irmãos, e que nesta altura do ano, talvez com mais força do que noutras ocasiões, não ressoa nos nossos ouvidos, ou só na mente, que só se resolve o problema da fome, do meio ambiente, das guerras, da inveja, do desentendimento político, religioso, social econômico e financeiro, quando de fato formos capazes de nos amar uns aos outros como irmãos?
E posso esquecer todos estes e mais aqueles que conheci nos recônditos de Angola e Moçambique e noutros lugares do mundo, muitos deles cujos nomes já não sei, mas cuja imagem permanece, mesmo difusa, no nosso espírito?
E de todos os que tanto precisam de nós, que “sofrem fome e sede de justiça” e que nós, por comodismo ou impossibilidade, não lhes podemos valer?
É esta a nossa mensagem deste Natal, do próximo, e de todos os dias entre quantos Natais houver:


”Que nos amemos uns aos outros como irmãos”!


Vamos procurar não deixar de fora do nosso coração um só. Daqueles que são família, dos amigos iguais à família, dos conhecidos e dos desconhecidos.
Se quisermos cabem todos. É só querer.
Mas como sou um frágil ser humano, o que me vai ser difícil é conseguir beber um copo à saúde de cada um! Mas... tentarei!
 
17.dez.09

12 de dez. de 2009

MERDA !


A nova palavra de ordem presidencial !


“Vou tirar o povo da merda!” Afirmação do big líder em pronunciamento oficial através da televisão. E, como nos sambas, insistiu no refrão, repetiu: “Vou tirar o povo da merda!”

Se até há pouco esta palavra era considerada baixo calão, coisa de pessoas chulas, sem qualquer nível, a Lusofonia que se prepare para retirar a palavra da baixaria e a colocar nos altos níveis de pronunciamentos que são esperados de um Presidente da República.
Mas com este linguajar o presidente da merda, só ganha cada vez mais popularidade, aqui e pelo mundo todo, ao ponto de em Espanha ter sido considerado a Personalidade do Ano! Aqui, internamente, ainda seria natural, já que o nível cultural da maioria da população é de m#@&a, e adora ouvir este tipo de palavreado. Eles adoram, aplaudem e gritam na euforia da ignoraria; “Viva! Ele é coma nóis!”
Mas Espanha dar o título de personalidade do ano a um presidente que só fala m&@#a! ?
Será por causa do estado de pré falência em que se encontra o “grande país ibérico”, e assim tentar levar uma esmolinha do Brasil?
Esta frase bombástica e mal cheirosa, que envergonha os brasileiros, tem a ver com o saneamento básico. Só que:

- em sete anos de (des)governo petista o volume de dinheiro aplicado em saneamento ficou em torno de 12% da verba orçamentada! O resto... é um mistério da m&@#a!
- para levar saneamento básico a todo o país, segundo os especialistas, e aplicando-se integralmente os valores orçados, seriam necessários 66 anos!
A perspectiva não é saudável! Mais 66 anos de m&@#a, dá para pensar que a numenklatura petista está a preparar-se para copiar o regime soviético que durou 70 anos, ou o chavismo que, além dos dez anos que já leva, pretende ficar, pelo menos, até 2025!
Um governo da m#@&a, tem mesmo é que usar o linguajar do seu nível! Seja a propósito de saneamento ou de corrupção, porque há dias o mesmo big líder afirmava que neste país só pobre vai preso. Tem razão. O filhinho, o lulinha, de limpador de m#@&a de animais no zoológico, de um dia para o outro ficou milionário! Com dinheiro sujo. Como já é rico não vai mais ser preso.
Lembra esta baixaria de palavreado um fato passado nos anos 40 em Luanda, e contado no meu livro “Contos Peregrinos a Preto e Branco” mas que não resisto em reproduzir:

Um dos mais famosos homens de Luanda, figura de legenda, foi o Dr. Antonio Videira, advogado, inteligente, culto, grande jogador de bridge. Escreveu uns livros simples mas maravilhosos e lindamente bem escritos sobre Angola, que viveu intensamente. De si próprio diz no livro “Angola - Dez Bilhetes Postais Ilustrados” - 1955 (ilustrados por Neves e Sousa): Estouvado, irreverente, malcriado, esta gente amiga e desempoeirada - o ar por cá é mais limpo; respira-se melhor - sempre me perdoou e quis bem.

Lá está o ar de Angola, mais limpo... Dele há inúmeras estórias. Estupendas. Divertidissimas, cada uma melhor do que a outra. Só uma, para se ter uma idéia da figura.

Dois indivíduos lá se trocaram de razões e no meio da discórdia um chamou filho da puta ao outro. Grave ofensa, o ofendido entrou com uma ação no tribunal, tendo por advogado o Dr. Videira.

A gravidade do caso era bastante caricata, e o advogado de defesa do acusado achou que o melhor era fazer graça da situação. A sua intervenção:

- Hoje em dia o termo filho da puta não tem mais a conotação de ofensa à mãe de alguém. Todos nós sabemos que quando um jogador de futebol mete um golo bonito, o publico entusiasmado aplaude e diz: Filho da puta! Que grande golo. Acontece o mesmo quando, por exemplo um pescador pesca um peixão enorme: que sorte teve aquele filha da puta. Olhem o peixe que apanhou.
E seguiu fazendo a apologia do filho da puta procurando assim defender o seu constituinte. Quando terminou a defesa, o juiz deu a palavra à acusação. Levanta-se o Dr. Videira e diz:

- Meretissimo, depois das brilhantes palavras do distinto filho da puta e meu colega, nada tenho a acrescentar.

O acusado foi condenado a pedir publicas desculpas ao ofendido!

Por aqui se vê que as mesmas palavras, podem ser chulas, obscenas ou ... virtuosas!
Mas jamais pronunciadas por um presidente de m....&@#a!

12 dez. 09


27 de out. de 2009

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Se Deus fosse brasileiro

Houve tempo em que era comum ouvir dizer-se que “Deus era brasileiro”, tal a generosidade com que proveu a natureza desta terra que, na sua “certidão de nascimento” tem até escrito “em se plantando tudo dá”!
E a verdade é que por aqui tudo se dá, causando agora inveja e admiração por esse mundo fora. Tudo.


Tudo por aqui é grande: o espaço, as florestas (que sobram) as áreas de plantio, as pastagens, as minas, o crescimento das cidades, o número de Ferraris, Porshes e outros humildes meios de transporte, o petróleo e o gás (ainda mal explorados), o número de homicídios e assaltos – aqui mata-se mais do que no Afeganistão e talvez mesmo no Paquistão – a corrupção e a ladroagem, que tendo espelho em todos os países, aqui atinge níveis a priori inconcebíveis, as centenas de quilômetros de ferrovias abandonadas, o número de buracos nas estradas – neste particular devemos ter a medalha de ouro mundial – e, para não desequilibrar o panorama, um presidente que "bota a boca no trombone" e se permite dizer as maiores barbaridades, sai dando risada e ainda é aplaudido!
Uma das últimas, para justificar a bandalha que pratica e de quem o rodeia, os acordos vergonhosos que faz com outros partidos e as dezenas de milhares de cargos de confiança que criou durante o seu mandato, disse que “se Jesus Cristo nascesse no Brasil e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão”!
Todos os dias o big líder se permite ofender quem quer que seja. Os cidadãos e o bom senso. Todos os dias diz barbaridades incríveis. Governar, não governa, ou porque para isso é absolutamente inepto, ou porque está fora do seu gabinete mais de metade do ano, em viagens absurdas e em permanente campanha para ver se elege a sua protegida e retorna em 2014 para prosseguir na farra.
Mas esqueceu-se sexa, se por acaso sabia, que Jesus Cristo, como comentou Dom Dimas Barbosa, secretário geral da CNBB, a propósito do insulto, não aos cristão, mas ao próprio Cristo, que “Judas foi um discípulos de Cristo. Mas quero lembrar que Cristo não fez aliança com fariseus nem saduceus”!
E há tanto para “lembrar” a quem nada sabe e se permite falar de tudo. Pena o tal presidente não “se lembrar”, em primeiro lugar, que Cristo, à entrada do templo, fez uma vergasta e dali correu com os vendilhões! A casa de Deus não era covil de ladrões! Imaginem só se Cristo aqui viesse e entrasse nos gabinetes do governo! E no congresso em Brasília! E nos governos e assembléias estaduais e municipais! E...
Como se comportaria Jesus face ao desplante de políticos como os Sarneys, Malufs, Jaders, Mercadantes, Renans, e tantos, tantos outros, que envergonham o país e seu povo com quem o dito presidente faz indecorosas “coalizões” para não perder, ele e os outros, a mamata? Jesus chamaria Judas ou os entregaria logo ao demônio para arderem no fogo dos infernos? Eles e seus compadrios e coligados!
Esqueceu-se que Cristo disse ainda ”bem aventurados os humildes...”, os não arrogantes nem vaidosos nem ambiciosos, e mais, “quando dás esmolas não faças tocar a trombeta como fazem os hipócritas para serem louvados pelos homens, mas quando dês, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita”!
Todos os dias se apregoa o famigerado Bolsa Família, mas é público e notório que isso tem incentivado a ociosidade! Mas dá votos. A trombeta não se cala. Nem pára de dizer monstruosidades.
Assim teremos garantida uma medalha nas Olimpíadas: discurso ignorante!

14 de out. de 2009

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No reino do “Faz-de-conta”
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Reina a euforia! Tudo vai de vento em popa! Vai mesmo?
Jogos Desportivos Militares Mundiais em 2011, Copa do Mundo em 2014, Olimpíadas em 2016! OLIMPÍDAS ! Que maravilha.
Se o IDH, o tal Índice de Desenvolvimento Humano da ONU se medisse em promessas desportivas, o Brasil estaria, de longe, em primeiro lugar no mundo, mas...
- com os 115 milhões de Reais que o (des)governo deu ao MST para ir destruindo fazendas, prédios públicos e laboratórios de investigação agro-pecuária...
- com o sarneizão a beijar a mão de seus ex inimigos, os próprios do MST, de quem é agora representante no senado (!!!), atitude nojenta, mas que tem por finalidade: primeiro, “não perturbem as minhas propriedades e minha pobre família”, e tentar conquistar o apoio dos meliantes em novas eleições que estão, não tarda, à porta...
- com a euforia do pré-sal! Anda todo o mundo louco com o “lucro fabuloso” que o pré-sal... será que vai dar? Discute-se como se vai repartir o bolo desse imaginário lucro, que, a vir, demorará pelo menos meia dúzia de anos, apontam-se hipóteses sempre dirigidas não ao bem comum mas aos interesses privados, e o Brasil que tinha acabado de mostrar ao mundo ser o carro chefe nas energias alternativas, agora brada aos céus, faz festa, já gasta por conta do petróleo que o pré-sal vai dar... se der!
- e não só! Estão em estudo, e praticamente aprovadas, novas usinas termelétricas, movidas, imaginem, a carvão! Uma beleza. Coisa que os países todos ou abandonaram ou estão em vias de abandonar, o Brasil vai começar! Grande visão! E com esta “vantagem” adicional: o Brasil não tem carvão de pedra! Vai ter que o importar para poluir, ainda mais, os ares;
- no começo do século XVII, 90% da população da atual Argentina sabia, pelo menos, assinar o seu nome, e a maioria das mulheres sabia escrever (não se sabe bem se os indígenas também, mas muitos sim...) enquanto, 400 anos depois, por esta terra, o ensino continua cada vez mais na mesma, com um altíssimo índice de abandono escolar mesmo na 1ª. série, e alta taxa de analfabetismo;
- para acolher os Jogos Olímpicos fala-se em investimentos da ordem de 80 bilhões de reais... se ninguém roubar! Tudo tem que ser feito, como na China, e assim mesmo o nosso orçamento é quase o dobro que foi lá na Ásia! Mas não se ouve falar sequer em milhões para dar a verdadeira e necessária instrução e cultura ao povo!
- o big líder, primeiro disse que a seguir a presidente do país queria ser presidente da Petrobrás! (Quem não quereria ???) Agora já está a apostar em 2014 para voltar para onde está, à procura da grande “glória” de ser presidente do país que acolhe as Olimpíadas! Não há dúvida que a vaidade é maior desgraça do planeta! Dizia Rousseau: “Se há alguém a quem a vaidade faça feliz, com certeza esse alguém é um tolo”!
A perpetuação no poder é uma tentação terrível, pior que doença incurável. Mais ainda quando se admira e veneram líderes com essa contagiosa doença, como Fidel, Chavez, Ahmadinejad, os sobas do Sudão, Congo, Angola, etc., etc.
O imoral da política é a paixão de dominar. Piora quando se espera que o Estado, o governo, seja o defensor da tradição e da propriedade, e se assiste ao destroçar das tradições, ao desprezo pelas culturas indígenas, e se fomenta, com dinheiros públicos o depredar de propriedades por grupos de vândalos e permite a corrupção desbragada no seio mais alto da (des)governança.
Pelo modo como isto vai... de que vão servir os Jogos Olímpicos? Para melhorar os transportes públicos, construir estádios desportivos que depois ficam vazios porque nas escolas não há incentivos ao desporto, como aconteceu com as obras do Pan?
Todos torcemos muito para que o Rio saia arrumado e enaltecido pela organização dessas Olimpíadas. Mas no meio da tanta euforia, todos tememos muito também pelo mal que a corrupção, mais do que endêmica, possa fazer.
O mundo embasbaca-se perante o presidente operário que, como um papagaio, repete o que as eminências pardas mandam dizer e fazer, mas quem aqui vive é que sente como o governo, perdão (des)governo se coloca acima dos interesses da nação. Esta vem, longe, em segundo lugar.
Agora o “cara” até afirmou que a compra de novos aviões de caça para a Força Aérea Brasileira – que hoje não deve ter mais que um ou dois aptos a voar! – é fundamental para proteger a área do pré-sal, não vá dar-se a hipótese de outro país querer aqui vir explorar o que é... internacional! Piada, pobre, de circo... pobre!
A política econômica seguiu, sem qualquer alteração a que foi definida no anterior governo de Fernando Henrique, favorecendo o exponencial enriquecimento dos bancos, tão violentamente criticada pelo PT, oposição na altura, e de resto, tal como escrevi no início do comando por estes novos donos do poder, nada se vai fazer até às vésperas de novas eleições,
É o que estamos a ver. Fala-se muito em PAC, mas até agora essas tão apregoadas obras do PAC pouco mais passam do que o discurso da candidata do big líder.
Muita água ainda vai correr, mas as esperanças de vermos o nível da população aumentar, e isso seria o mais importante dos objetivos de qualquer governo sério, são muito remotas.
De acordo com um ex ministro da educação deste (des)governo, demitido porque reclamou da exigüidade de verbas que lhe atribuíram, só daqui a 56 anos o Brasil conseguirá erradicar o analfabetismo!
Educar não parece prioridade dos (des)governantes. Comprar aviões, sim. Não miliotares, mas de passeio. Além do super Airbus, em que lula vive, no mínimo uma terça parte do ano, visitando todos os países do mundo, com interesse ou sem ele, acaba de comprar mais três, felizmente da Embraer... porque as eleições estão aí a chegar e é necessário deslocar a turma para todos os palanques do país!
IDH? Para que? Poder e vaidade é que são bons!


11 out. 09

5 de out. de 2009

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Mais uma opinião de um dos melhores escritores brasileiros

De  bem  a  pior
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por JOÃO  UBALDO  RIBEIRO
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Diante do portão ainda fechado, olho por entre as grades do edifício e avalio a rua. Poucos passantes, alguns porteiros varrendo a calçada, tudo indica que o temido encontro será evitado novamente. Tem dado um pouco de trabalho, mas venho conseguindo driblá-la com eficácia e faz tempos que não a vejo. Bem verdade que, paradoxalmente, tenho uma certa saudade dela, mas sou obrigado a reconhecer que fico aliviado por não vê-la, é melhor assim. Inspeção concluída, tomo coragem e saio andando em direção a banca de jornal, aonde chego sem problemas e da qual volto devagar, espiando distraidamente as manchetes e sem suspeitar do que me espera, depois de dobrar a esquina de minha rua.
— Ah-ha! — soa uma voz feminina enquanto recebo um puxão na manga da camisa e logo concluo que desta vez não consegui escapar; é ela novamente.
— Andava se escondendo, hein?
— Me escondendo? Não, claro que não. Por que eu haveria de me esconder?
— Porque não está cumprindo sua obrigação, é por isso! Eu confesso que não esperava isso de você, mas fato e fato, e o fato é que você não está cumprindo sua obrigação.
— Não entendi, não sei de obrigação nenhuma que eu não esteja cumprindo.
— Sua obrigação de descer o cacete nessa corja, é essa a obrigação que você não está cumprindo.
— Bem, eu não acho que tenho es¬sa obrigação. Alem disso, o sujeito cansa de dar murro em ponta de faca sozinho. A impressão que eu tenho, pela leitura de jornais, é que esta todo mundo satisfeito, com uma exceçãozinha aqui ou ali.
— Está todo mundo o que? Satisfeito? Satisfeito com que, com o governo? Eu pergunto a você: qual é a grande realização desse governo, além de uma Legião Brasileira de Assistência turbinada, qual é? 0 que é que mudou?
— Bem, assim de cabeça é difícil lembrar.
— Então eu ajudo, vamos lá. Mu¬dou a educação? 0 ensino público está uma beleza, o povo esta cada vez mais educado, os professores são bem pagos, fizeram uma gran¬de reforma, não foi?
— Eu sei que não é bem assim, mas...
— Mas nada, não tem "mas" nenhum nessa conversa, é tudo um hor¬ror mesmo e, quando acham um colégio melhorzinho, da reportagem no "Fantástico", é caso de comemoração. E saúde, a saúde vai bem, não vai? Todo mundo atendido, não tem mais esse negócio de dormir na fila ou esperar meses por uma consulta, tem?
— Você esta sendo irônica, eu...
— Segurança, tem segurança? Onde é que você está seguro? Dentro de casa, não está seguro. Na rua, não es¬tá seguro. No ônibus, não está segu¬ro. No restaurante, não está seguro. No hospital, não está seguro. Nem numa delegacia ou num quartel, porque vão lá e jogam uma bomba! Onde é que não assaltam e, se quiserem, torturam e matam, me conte, onde é?
A policia já aconselha a não sair com documentos, fazer o que o assaltante manda e assim por diante. Agora eu estou esperando que também aconselhem a gente a manter em casa um lanchinho para agradar os assaltantes. Melhor ainda, um brunch, que é mais chique e mais moderno. Uns drinquezinhos, uns brioches, tudo para os assaltantes não se aborrecerem. No futuro vão aparecer manuais e matérias de jornal com cardápios especiais para esse caso.
— Taí, você falou em futuro e me lembrou. Tem o pré-sal também.
— Tem, tem. Ninguém sabe direito se vai dar para extrair esse petró1eo e, se der, como é que vai estar o petróleo daqui a dez ou quinze anos. 0 futuro não era o etanol, não eram as fontes de energia renováveis? Agora não é mais, é o petróleo mesmo, não é? Tão certo quanto as eleições que vem aí.
— Você não está sendo um pouquinho pessimista, não? As própria eleições são uma esperança.
— São, são. Esperança de que entrem ladrões novos, para substituir os velhos, isso é importante, é sempre interessante observar as gerações mais jovens se firmando. E os métodos de roubar com certeza vão mudar também, nada de saudosismo, vamos aos novos paradigmas da corrupção, o Brasil não pode ficar para trás.
— Olhe aí, você trouxe outra coisa à baila, o Brasil hoje é outro, no panorama internacional.
— É, eu sei, é o pais dos barbudinhos exóticos, os gringos gostam muito, se divertem bastante. E ainda nos empurram os bagulhos deles.
— Que é isso, também não é assim.
— Eu sei, é pior. Agora, com a embaixada brasileira em Honduras transformada em quartel-general da cucarachada, com essa cafajestada diplomática toda, está uma beleza, somos alvo do respeito uni¬versal, não é, não? E os gringos também acreditam nesse papo de que "não sei de nada", "não ouvi nada" etc. e tal.
— É, já vi que você hoje está mesmo com toda a corda.
— Ao contrário de certos escritores que eu conheço. E já que, ao que parece, você também está achando tudo ótimo, pelo menos, ponha na sua coluna um título que seja fiel à situação do Brasil de hoje. Eu lhe ofereço um de graça. Que tal "de bem a pior"?


JOAO UBALDO RIBEIRO é escritor.