27 de out. de 2009

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Se Deus fosse brasileiro

Houve tempo em que era comum ouvir dizer-se que “Deus era brasileiro”, tal a generosidade com que proveu a natureza desta terra que, na sua “certidão de nascimento” tem até escrito “em se plantando tudo dá”!
E a verdade é que por aqui tudo se dá, causando agora inveja e admiração por esse mundo fora. Tudo.


Tudo por aqui é grande: o espaço, as florestas (que sobram) as áreas de plantio, as pastagens, as minas, o crescimento das cidades, o número de Ferraris, Porshes e outros humildes meios de transporte, o petróleo e o gás (ainda mal explorados), o número de homicídios e assaltos – aqui mata-se mais do que no Afeganistão e talvez mesmo no Paquistão – a corrupção e a ladroagem, que tendo espelho em todos os países, aqui atinge níveis a priori inconcebíveis, as centenas de quilômetros de ferrovias abandonadas, o número de buracos nas estradas – neste particular devemos ter a medalha de ouro mundial – e, para não desequilibrar o panorama, um presidente que "bota a boca no trombone" e se permite dizer as maiores barbaridades, sai dando risada e ainda é aplaudido!
Uma das últimas, para justificar a bandalha que pratica e de quem o rodeia, os acordos vergonhosos que faz com outros partidos e as dezenas de milhares de cargos de confiança que criou durante o seu mandato, disse que “se Jesus Cristo nascesse no Brasil e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão”!
Todos os dias o big líder se permite ofender quem quer que seja. Os cidadãos e o bom senso. Todos os dias diz barbaridades incríveis. Governar, não governa, ou porque para isso é absolutamente inepto, ou porque está fora do seu gabinete mais de metade do ano, em viagens absurdas e em permanente campanha para ver se elege a sua protegida e retorna em 2014 para prosseguir na farra.
Mas esqueceu-se sexa, se por acaso sabia, que Jesus Cristo, como comentou Dom Dimas Barbosa, secretário geral da CNBB, a propósito do insulto, não aos cristão, mas ao próprio Cristo, que “Judas foi um discípulos de Cristo. Mas quero lembrar que Cristo não fez aliança com fariseus nem saduceus”!
E há tanto para “lembrar” a quem nada sabe e se permite falar de tudo. Pena o tal presidente não “se lembrar”, em primeiro lugar, que Cristo, à entrada do templo, fez uma vergasta e dali correu com os vendilhões! A casa de Deus não era covil de ladrões! Imaginem só se Cristo aqui viesse e entrasse nos gabinetes do governo! E no congresso em Brasília! E nos governos e assembléias estaduais e municipais! E...
Como se comportaria Jesus face ao desplante de políticos como os Sarneys, Malufs, Jaders, Mercadantes, Renans, e tantos, tantos outros, que envergonham o país e seu povo com quem o dito presidente faz indecorosas “coalizões” para não perder, ele e os outros, a mamata? Jesus chamaria Judas ou os entregaria logo ao demônio para arderem no fogo dos infernos? Eles e seus compadrios e coligados!
Esqueceu-se que Cristo disse ainda ”bem aventurados os humildes...”, os não arrogantes nem vaidosos nem ambiciosos, e mais, “quando dás esmolas não faças tocar a trombeta como fazem os hipócritas para serem louvados pelos homens, mas quando dês, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita”!
Todos os dias se apregoa o famigerado Bolsa Família, mas é público e notório que isso tem incentivado a ociosidade! Mas dá votos. A trombeta não se cala. Nem pára de dizer monstruosidades.
Assim teremos garantida uma medalha nas Olimpíadas: discurso ignorante!

14 de out. de 2009

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No reino do “Faz-de-conta”
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Reina a euforia! Tudo vai de vento em popa! Vai mesmo?
Jogos Desportivos Militares Mundiais em 2011, Copa do Mundo em 2014, Olimpíadas em 2016! OLIMPÍDAS ! Que maravilha.
Se o IDH, o tal Índice de Desenvolvimento Humano da ONU se medisse em promessas desportivas, o Brasil estaria, de longe, em primeiro lugar no mundo, mas...
- com os 115 milhões de Reais que o (des)governo deu ao MST para ir destruindo fazendas, prédios públicos e laboratórios de investigação agro-pecuária...
- com o sarneizão a beijar a mão de seus ex inimigos, os próprios do MST, de quem é agora representante no senado (!!!), atitude nojenta, mas que tem por finalidade: primeiro, “não perturbem as minhas propriedades e minha pobre família”, e tentar conquistar o apoio dos meliantes em novas eleições que estão, não tarda, à porta...
- com a euforia do pré-sal! Anda todo o mundo louco com o “lucro fabuloso” que o pré-sal... será que vai dar? Discute-se como se vai repartir o bolo desse imaginário lucro, que, a vir, demorará pelo menos meia dúzia de anos, apontam-se hipóteses sempre dirigidas não ao bem comum mas aos interesses privados, e o Brasil que tinha acabado de mostrar ao mundo ser o carro chefe nas energias alternativas, agora brada aos céus, faz festa, já gasta por conta do petróleo que o pré-sal vai dar... se der!
- e não só! Estão em estudo, e praticamente aprovadas, novas usinas termelétricas, movidas, imaginem, a carvão! Uma beleza. Coisa que os países todos ou abandonaram ou estão em vias de abandonar, o Brasil vai começar! Grande visão! E com esta “vantagem” adicional: o Brasil não tem carvão de pedra! Vai ter que o importar para poluir, ainda mais, os ares;
- no começo do século XVII, 90% da população da atual Argentina sabia, pelo menos, assinar o seu nome, e a maioria das mulheres sabia escrever (não se sabe bem se os indígenas também, mas muitos sim...) enquanto, 400 anos depois, por esta terra, o ensino continua cada vez mais na mesma, com um altíssimo índice de abandono escolar mesmo na 1ª. série, e alta taxa de analfabetismo;
- para acolher os Jogos Olímpicos fala-se em investimentos da ordem de 80 bilhões de reais... se ninguém roubar! Tudo tem que ser feito, como na China, e assim mesmo o nosso orçamento é quase o dobro que foi lá na Ásia! Mas não se ouve falar sequer em milhões para dar a verdadeira e necessária instrução e cultura ao povo!
- o big líder, primeiro disse que a seguir a presidente do país queria ser presidente da Petrobrás! (Quem não quereria ???) Agora já está a apostar em 2014 para voltar para onde está, à procura da grande “glória” de ser presidente do país que acolhe as Olimpíadas! Não há dúvida que a vaidade é maior desgraça do planeta! Dizia Rousseau: “Se há alguém a quem a vaidade faça feliz, com certeza esse alguém é um tolo”!
A perpetuação no poder é uma tentação terrível, pior que doença incurável. Mais ainda quando se admira e veneram líderes com essa contagiosa doença, como Fidel, Chavez, Ahmadinejad, os sobas do Sudão, Congo, Angola, etc., etc.
O imoral da política é a paixão de dominar. Piora quando se espera que o Estado, o governo, seja o defensor da tradição e da propriedade, e se assiste ao destroçar das tradições, ao desprezo pelas culturas indígenas, e se fomenta, com dinheiros públicos o depredar de propriedades por grupos de vândalos e permite a corrupção desbragada no seio mais alto da (des)governança.
Pelo modo como isto vai... de que vão servir os Jogos Olímpicos? Para melhorar os transportes públicos, construir estádios desportivos que depois ficam vazios porque nas escolas não há incentivos ao desporto, como aconteceu com as obras do Pan?
Todos torcemos muito para que o Rio saia arrumado e enaltecido pela organização dessas Olimpíadas. Mas no meio da tanta euforia, todos tememos muito também pelo mal que a corrupção, mais do que endêmica, possa fazer.
O mundo embasbaca-se perante o presidente operário que, como um papagaio, repete o que as eminências pardas mandam dizer e fazer, mas quem aqui vive é que sente como o governo, perdão (des)governo se coloca acima dos interesses da nação. Esta vem, longe, em segundo lugar.
Agora o “cara” até afirmou que a compra de novos aviões de caça para a Força Aérea Brasileira – que hoje não deve ter mais que um ou dois aptos a voar! – é fundamental para proteger a área do pré-sal, não vá dar-se a hipótese de outro país querer aqui vir explorar o que é... internacional! Piada, pobre, de circo... pobre!
A política econômica seguiu, sem qualquer alteração a que foi definida no anterior governo de Fernando Henrique, favorecendo o exponencial enriquecimento dos bancos, tão violentamente criticada pelo PT, oposição na altura, e de resto, tal como escrevi no início do comando por estes novos donos do poder, nada se vai fazer até às vésperas de novas eleições,
É o que estamos a ver. Fala-se muito em PAC, mas até agora essas tão apregoadas obras do PAC pouco mais passam do que o discurso da candidata do big líder.
Muita água ainda vai correr, mas as esperanças de vermos o nível da população aumentar, e isso seria o mais importante dos objetivos de qualquer governo sério, são muito remotas.
De acordo com um ex ministro da educação deste (des)governo, demitido porque reclamou da exigüidade de verbas que lhe atribuíram, só daqui a 56 anos o Brasil conseguirá erradicar o analfabetismo!
Educar não parece prioridade dos (des)governantes. Comprar aviões, sim. Não miliotares, mas de passeio. Além do super Airbus, em que lula vive, no mínimo uma terça parte do ano, visitando todos os países do mundo, com interesse ou sem ele, acaba de comprar mais três, felizmente da Embraer... porque as eleições estão aí a chegar e é necessário deslocar a turma para todos os palanques do país!
IDH? Para que? Poder e vaidade é que são bons!


11 out. 09

5 de out. de 2009

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Mais uma opinião de um dos melhores escritores brasileiros

De  bem  a  pior
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por JOÃO  UBALDO  RIBEIRO
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Diante do portão ainda fechado, olho por entre as grades do edifício e avalio a rua. Poucos passantes, alguns porteiros varrendo a calçada, tudo indica que o temido encontro será evitado novamente. Tem dado um pouco de trabalho, mas venho conseguindo driblá-la com eficácia e faz tempos que não a vejo. Bem verdade que, paradoxalmente, tenho uma certa saudade dela, mas sou obrigado a reconhecer que fico aliviado por não vê-la, é melhor assim. Inspeção concluída, tomo coragem e saio andando em direção a banca de jornal, aonde chego sem problemas e da qual volto devagar, espiando distraidamente as manchetes e sem suspeitar do que me espera, depois de dobrar a esquina de minha rua.
— Ah-ha! — soa uma voz feminina enquanto recebo um puxão na manga da camisa e logo concluo que desta vez não consegui escapar; é ela novamente.
— Andava se escondendo, hein?
— Me escondendo? Não, claro que não. Por que eu haveria de me esconder?
— Porque não está cumprindo sua obrigação, é por isso! Eu confesso que não esperava isso de você, mas fato e fato, e o fato é que você não está cumprindo sua obrigação.
— Não entendi, não sei de obrigação nenhuma que eu não esteja cumprindo.
— Sua obrigação de descer o cacete nessa corja, é essa a obrigação que você não está cumprindo.
— Bem, eu não acho que tenho es¬sa obrigação. Alem disso, o sujeito cansa de dar murro em ponta de faca sozinho. A impressão que eu tenho, pela leitura de jornais, é que esta todo mundo satisfeito, com uma exceçãozinha aqui ou ali.
— Está todo mundo o que? Satisfeito? Satisfeito com que, com o governo? Eu pergunto a você: qual é a grande realização desse governo, além de uma Legião Brasileira de Assistência turbinada, qual é? 0 que é que mudou?
— Bem, assim de cabeça é difícil lembrar.
— Então eu ajudo, vamos lá. Mu¬dou a educação? 0 ensino público está uma beleza, o povo esta cada vez mais educado, os professores são bem pagos, fizeram uma gran¬de reforma, não foi?
— Eu sei que não é bem assim, mas...
— Mas nada, não tem "mas" nenhum nessa conversa, é tudo um hor¬ror mesmo e, quando acham um colégio melhorzinho, da reportagem no "Fantástico", é caso de comemoração. E saúde, a saúde vai bem, não vai? Todo mundo atendido, não tem mais esse negócio de dormir na fila ou esperar meses por uma consulta, tem?
— Você esta sendo irônica, eu...
— Segurança, tem segurança? Onde é que você está seguro? Dentro de casa, não está seguro. Na rua, não es¬tá seguro. No ônibus, não está segu¬ro. No restaurante, não está seguro. No hospital, não está seguro. Nem numa delegacia ou num quartel, porque vão lá e jogam uma bomba! Onde é que não assaltam e, se quiserem, torturam e matam, me conte, onde é?
A policia já aconselha a não sair com documentos, fazer o que o assaltante manda e assim por diante. Agora eu estou esperando que também aconselhem a gente a manter em casa um lanchinho para agradar os assaltantes. Melhor ainda, um brunch, que é mais chique e mais moderno. Uns drinquezinhos, uns brioches, tudo para os assaltantes não se aborrecerem. No futuro vão aparecer manuais e matérias de jornal com cardápios especiais para esse caso.
— Taí, você falou em futuro e me lembrou. Tem o pré-sal também.
— Tem, tem. Ninguém sabe direito se vai dar para extrair esse petró1eo e, se der, como é que vai estar o petróleo daqui a dez ou quinze anos. 0 futuro não era o etanol, não eram as fontes de energia renováveis? Agora não é mais, é o petróleo mesmo, não é? Tão certo quanto as eleições que vem aí.
— Você não está sendo um pouquinho pessimista, não? As própria eleições são uma esperança.
— São, são. Esperança de que entrem ladrões novos, para substituir os velhos, isso é importante, é sempre interessante observar as gerações mais jovens se firmando. E os métodos de roubar com certeza vão mudar também, nada de saudosismo, vamos aos novos paradigmas da corrupção, o Brasil não pode ficar para trás.
— Olhe aí, você trouxe outra coisa à baila, o Brasil hoje é outro, no panorama internacional.
— É, eu sei, é o pais dos barbudinhos exóticos, os gringos gostam muito, se divertem bastante. E ainda nos empurram os bagulhos deles.
— Que é isso, também não é assim.
— Eu sei, é pior. Agora, com a embaixada brasileira em Honduras transformada em quartel-general da cucarachada, com essa cafajestada diplomática toda, está uma beleza, somos alvo do respeito uni¬versal, não é, não? E os gringos também acreditam nesse papo de que "não sei de nada", "não ouvi nada" etc. e tal.
— É, já vi que você hoje está mesmo com toda a corda.
— Ao contrário de certos escritores que eu conheço. E já que, ao que parece, você também está achando tudo ótimo, pelo menos, ponha na sua coluna um título que seja fiel à situação do Brasil de hoje. Eu lhe ofereço um de graça. Que tal "de bem a pior"?


JOAO UBALDO RIBEIRO é escritor.

28 de set. de 2009

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É difícil de acreditar, mas cada vez o nosso (des)governo mente mais, desacredita mais o país e até, pela primeira vez na sua história - esquecendo a trsite página da Guerra do Paraguai - se lamenta de não ter comprado os aviões de guerra há mais tempo... para ir em socorro do bandido conhecido por Zelaya!
Diz o big líder que não aceita mais golpes militares na América do Sul! Maravilha! Mas o que vai acontecer no Brasil se o PT perder as eleições de 2010? Quem vai segurar as forças armadas do MST?
É uma tristeza vermos o descaso e o desprezo pelo bom senso, pela autêntica democracia/liberdade, mas... o que esperar de um governante despreparado comandado por uma equipa de bolcheviques loucos com o poder e com tanto dinheiro à disposição?
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Pantomima

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DENIS LERRER ROSENFIELD

A pantomima parece não ter limites. A política exterior brasileira está enveredando, perigosamente, pelos caminhos bolivarianos, ditatoriais, que rompem com décadas de neutralidade e não ingerência em assuntos de outros païses. O caso de Honduras é, particularmente, aterrador, pois, em nome da democracia totalitaria, estão sentando as bases de supressão da liberdade.
Façamos, primeiro, um breve retrospecto. Lula e Amorim* realizaram, nos ultimos anos, périplos por paises africanos, que têm em comum o menosprezo pela democracia e pelas liberdades em geral. Trata-se de países ditatoriais, que foram considerados pelo nosso governo como dignos parceiros de reconhecimento internacional. 0 ex-terrorista e ditador Kadhafi chegou a ser considerado como um irmão. Irmão de quê? De empreitadas ditatoriais, de uma pessoa há décadas no poder e exercendo uma dominaçao inflexível sobre o seu próprio povo.
Seguindo a mesma linha, a diplomacia brasileira permaneceu silenciosa sobre o genocidio do Sudão, onde mais de 200.000 pessoas foram assassinadas, não contabilizando aqui as pessoas esquartejadas, mutiladas e estupradas. Em nome do quê? Da não ingerência nos assuntos de outros Estados. Qual foi, então, o recado? Assassinar o seu próprio povo pode, em nome da soberania interna.
0 caso do Irã, do "presidente" Ah-madinejad, foi — e continua — escandaloso. As eleições foram fraudadas, o povo iraniano foi a rua, até alguns aiatolas ja não suportam o despotismo em vigor naquele pais, pessoas foram torturadas e assassinadas em prisões. 0 governo brasileiro se contentou em dizer que se tratava de um mero jogo de futebol, em que os perdedores tinham ficado insatisfeitos, Na ONU, Lula, agora, reiterou a mes-ma posição de menosprezo aos direitos humanos. Temos uma prova tangível da podridão dessa esquerda que traíu, inclusive, os ideais de Marx. Fechou questão com o islamismo totalitario. Como se não bastasse, um "presidente", que se caracteriza pelo antissemitismo militante, propugnando pela eliminação do Estado de Israel, é convidado a visitar o Brasil. Provavelmente, em nome de uma qualquer "solidariedade" internacional, a dos déspotas.
Frente a esse quadro, que é um quadro de horror, a "nossa" diplomacia, ou melhor, a "deles", a dos bolivarianos com afinidades totalitárias, patrocina e é conivente com a volta de Zelaya a Honduras. Só um tolo acreditaria nas palavras de "diplomatas" (sic!), segundo os quais o Brasil s6 soube do ingresso do ex-presidente bolivariano, de tendências golpistas "democráticas", quando ja tinha ingressado naquele país. Ainda conforme o nosso "chefe" do Itamaraty, deu-Ihe "boas-vindas", oferecendo-lhe a hospitalidade brasileira. Pelo menos, Zelaya e sua mulher foram "honestos' ao agradecerem ao chanceler Amorim e ao presidente Lula o seu apoio.
Para acreditar na versão oficial, é necessário acreditar em duendes. Os cidadãos brasileiros são tidos por crédulos, mal-informados ou, melhor, tolos. Nada bate com nada nas versões oferecidas, salvo o seu objetivo de dar o máximo de sustentação ao projeto bolivariano do golpista fracassado Zelaya. 0 que é para eles insuportavel é que ações inconstitucionais tenham sido abortadas pela Corte Suprema daquele país, pelo Legislativo e pelos militares. Querem encobrir tudo isto, dizendo que se tratou de um "golpe militar", que a América Latina não pode mais suportar.
0 que pode a América Latina suportar? Deve suportar a subversão da democracia por meios democráticos, com destaque para eleições e assembleias constituintes. Deve suportar a eliminação da divisão de poderes, com líderes máximos solapando progressivamente todas as instituições representativas. Deve suportar a eliminação da liberdade de imprensa, num cenario liberticia que relembra a vereda totalitária de uma esquerda, que já nem mais sabe o significado de valores universais. As palavras começam a perder o seu sentido, ganhando um novo, que guarda uma remota ligação com o seu significado original.
A diplomacia brasileira fala que concedeu refugio a Zelaya. Como assim? Ele estava sendo perseguido dentro de seu proprio país? Precisa ele de asilo? Ora, trata-se de uma pessoa que foi obrigada a deixar o poder por conspirar contra a Constituiço. Por isto, foi ele conduzido para fora de seu próprio país, sem que tivesse sofrido dano físico, nem tenha estado a sua vida em perigo. 0 que a diplomacia brasileira fez foi patrocinar a sua volta a Honduras, em aliança com Hugo Chavez, que reconheceu ter organizado toda a operação. 0 Brasil atrelou-se à Venezuela. A diplomacia brasileira está se ingerindo nos assuntos internos de outro país, numa escancarada violação da Constituição brasileira, das Cartas da OEA e da ONU.
Numa completa tergiversação, o chanceler Amorim pede que o governo de Honduras não pratique nenhuma violência contra o bolivariano Zelaya. Ora, é a diplomacia brasileira que está suscitando violência e tumulto naquele país. Os mortos já se contam. Os bolivarianos estão entrincheirados na embaixada, a partir da qual fazem manifestações públicas e organizam os seus partidários para levar a cabo o seu projeto de subversão da democracia. Como são politicamente corretos, dizem estar defendendo a democracia.
Na subversão do sentido das palavras, clamam que não reconhecerão as eleições em curso. Como assim? Por que elas estavam previstas na Constituição, antes mesmo da deposição de Zelaya? Nao faz o menor sentido! As eleições seguem um cronograma constitucional, num regime de plenas liberdades, em particular de imprensa e partidária. É precisamente isto que se torna insuportável para esses socialistas autoritários.
Os países que parecem encantados com os cantos bolivarianos, como os EUA e os países europeus, estao cor-tando as fontes de financiamento deste pequeno país resistente. Enquanto isto, Lula negocia com Obama o fim do em-bargo comercial a Cuba. Deve estar fazendo isto em nome da democracia!

DENIS LERRER ROSENFIELD é professor de filosofia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

* Já aqui afirmei que este Amorim NADA TEM A VER COM A MINHA FAMÍLIA. Graças a Deus. Azar o meu de haver gente assim com o mesmo nome!




22 de set. de 2009

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O nosso big líder é aplaudido, condecorado, homenageado, por esse mundo fora. Mas... e aqui dentro? Todos os dias os jornais com lindas fotos com os tais bonés de que fala Arnaldo Jabor, mas à custa de muito dinheiro que corre para jornais e jornalistas vendidos.
Felizmente nem todos. Honrosa exceção, como poucas mais, é este jornalista. Ele escreve o que eu também penso, com uma grande diferença de qualidade de escrita. Por isso, com o devido respeito aqui vai, uma vez mais


Arnaldo Jabor - “Globo” , 22/09/09


Devo pedir champanhe ou cianureto?


Um articulista em crise existencial
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O grande Cole Porter tem uma letra de música que diz: “Questões conflitantes rondam minha cabeça. Devo pedir cianureto ou champanhe?”
Sinto-me assim, como articulista. Para que escrever? Nada adianta nada. Ando em crise, como vejo nos desenhos do excepcional Angeli, gênio da HQ. E como meu trabalho é ver o mal do mundo, um dia a depressão bate. Não aguento mais ver a cara do Lula de boné, dançando xaxado pelo pré-sal, não aguento mais ver o Sarney mandando no país, transformando-nos num grande “maranhão”, com o PT no bolso do jaquetão de teflon, enquanto comunistas, tucanistas e fascistas discutem para ver quem é mais de “esquerda” ou de “direita”, com o Estado loteado entre pelegos sem emprego e um governo regressista nos jogando de marcha a ré para os anos 40; não dá mais para ouvir quantos campos de futebol foram destruídos por mês na Amazônia, quando ninguém jamais consegue impedir as queimadas na Amazônia, enquanto ecochatos correm nus na Europa, fazendo ridículos protestos contra o efeito estufa; passo mal quando vejo a cara dos oportunistas do MST, com a bênção da Pastoral da Terra, liderando pobres-diabos para a “revolução” contra o capitalismo, não aguento secretários de Segurança falando em forças-tarefas diante de presídios que nem conseguem bloquear celulares, não suporto a polêmica nacionalismo pelego x liberalismo tucano de hímen complacente, tenho enjoo com vagabundos inúteis falando em “utopias”, bispos dizendo bobagens sobre economia, acadêmicos rancorosos decepcionados, mas secretamente apaixonados pela velha esquerda, tremo ao ver a República tratada no passado, nostalgias de tortura, indenizações para moleques, heranças malditas, ossadas do Araguaia e nenhuma reforma no Estado paralítico e patrimonialista, não tolero mais a falta de imaginação ideológica dos homens de bem, comparada com a imaginação dos canalhas, o que nos leva à retórica de impossibilidades como nosso destino fatal, e vejo que a única coisa que acontece é que não acontece nada, apesar dos bilhões em propaganda para acharmos que algo acontece.
Não aturo essa dúvida ridícula que assola a reflexão política: paralisia x voluntarismo, processo x solução, continuidade x ruptura, deprimo-me quando vejo a militância dos ignorantes, a burrice com fome de sentido, tenho engulhos ao ver a mísera liberdade como produto de mercado, êxtases volúveis de clubbers e punks de butique, descolados dentro de um chiqueirinho de irrelevâncias, buscando ideais como a bunda perfeita, bundas ambiciosas, querendo subir na vida, bundas com vida própria, mais importantes que suas donas, odeio recordes sexuais, próteses de silicone, pênis voadores, sucesso sem trabalho, a troca do mérito pela fama, não suporto mais anúncio de cerveja com louras burras, detesto bingo, pitbulls, balas perdidas, suspense sobre espetáculo de crescimento que só acontece na mídia, abomino mulheres divididas entre a piranhagem e a peruíce.
Onde está a delicadeza do erotismo clássico, a poética do êxtase? Repugnam-me os sorrisos luminosos de celebridades bregas, passos de ganso de manequim, notícias sobre quem come quem, horroriza-me sermos um bando de patetas de consumo, crianças brincando num shopping, enquanto os homens-bomba explodem no Oriente e no Ocidente, enquanto desovam cadáveres na Faixa de Gaza e em Ramos, com ônibus em fogo no Jacarezinho e em Heliópolis, museus superfaturados evocando retorcidos bombardeios em vez de hospitais e escolas, espaços culturais sem arte alguma para botar dentro, a não ser sinistras instalações com sangue de porco ou latinhas de cocô de picaretas vestidos de “contemporâneos”, não aguento chuvas em São Paulo e desabamentos no Rio, enquanto a Igreja Universal constrói templos de mármore com dinheiro arrancado dos pobres, e Sonia Hernandez, a perua de Cristo do Renascer, reza de mãos dadas com Dilma Rousseff de olhos fechados, orando pelos ideais de Zé Dirceu, enquanto formigueiros de fiéis bárbaros no Islã recitam o Corão com os rabos para cima antes de pilotar caminhões-bomba, xiitas sangrando, sunitas chorando, tudo no tão mal começado século XXI, não aguento ver que a pior violência é nosso convívio cético com a violência, o mal banalizado e o bem como um charme burguês, não quero mais ouvir falar de “globalização”, enquanto meninos miseráveis fazem malabarismo nos sinais de trânsito, cariocas de porre falando de política, e paulistas de porre falando de mercado, festas de celebridades com cascata de camarão, matéria paga com casais em bodas de prata, Lula com outro boné, políticos se defendendo de roubalheira falando em “honra ilibada”, “conselho de ética arquivado”, suplentes cabeludos e suplentes carecas ocultando os crimes, anúncios de celulares que fazem de tudo, até boquete; dá-me repulsa ver mulheres-bomba tirando foto com os filhinhos antes de explodir e subir aos céus dos imbecis, odeio o prazer suicida com que falamos sem agir sobre o derretimento das calotas polares, polêmicas sobre casamento gay, racismo pedindo leis contra o racismo, odeio a pedofilia perdoada na Igreja, vomito ao ver aquele rato do Irã falando que não houve Holocausto, sorrindo ao lado do Chávez cercados pelas caras barbudas de boçal sabedoria de aiatolás, repugnam-me as bochechas da Cristina Kirchner destruindo a Argentina, Maluf negando nossa existência, Pimenta das Neves rebolando em cima dos buracos do Código Penal, confrange-me o Papa rezando contra a violência com seus olhinhos violentos, não suporto cúpulas do G20 lamentando a miséria para nada, tenho medo de tudo, inclusive da minha renitente depressão, estou de saco cheio de mim mesmo, dessa minha esperançazinha démodé e iluminista de articulista do “bem”, impotente diante do cinismo vencedor de criminosos políticos.
Daí, faço minha a dúvida de Cole Porter: devo pedir ao garçom uma pílula de cianureto ou uma flûte de champanhe rosé?


25 de ago. de 2009

Já por diversas vezes afirmei que não ia mais comentar a política, os políticos, que tanto teem desgraçado este país tão bonito, tão bom tão promissor. Mas para quando? De fato nem preciso comentar. Todos os dias, TODOS, há comentaristas, que escrevem maravilhosamente, estão muito bem informados e que nos dizem o que não seriamos capazes de o fazer. Como hoje este "brito de alma" de um grande jornalista, que publicou no jornal "O Globo" o texto abaixo, para que chamo a vossa atnção.
Depos procurem descobrir como o nosso big lider é tão amado e respeitado na Europa e não só.
É fácil a resposta: não são eles que carregam esta carga fétida na cabeça.
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ARNALDO JABOR
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Aprendemos de cabeça para baixo

Nunca nossos vícios ficaram tão visíveis

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Os canalhas são mais didáticos que os honestos. O canalha ensina mais. Temos assistido, como nunca antes, a um show de verdades através do chorrilho de negaças, de cínicos sorrisos e lágrimas de crocodilo. 0 Brasil está evoluindo em marcha a ré! Nestas ultimas semanas, sô tivemos desacontecimentos. O senador Mercadante ia sair da liderança do PT, irrevogavelmente. Depois, oscilou, seu mestre deu-lhe um esculacho, e ele voltou atrás. Marcha a ré.
Desaconteceu. A Dilma também. Ela "não" se encontrou com a Lina Vieira, não.
Querem nos convencer de que a Lina é maluca e resolveu inventar tudo aquilo para prejudicar a ministra. Ninguém se lembra de que essa polémica do "fui, não fui" é útil para camuflar o fato de que a expulsão da Lina aconteceu somente por causa do questionamento a Petrobras...
Tudo marcha a ré. Tudo some. As fitas de VT do Planalto se apagaram. Ninguém existe mais nas fitas. Os atos secretos voltam pouco a pouco e deixam de sê-lo. O nosso Sarney foi absolvido de tudo; as 11 acusacões foram arquivadas pelo mordomo-suplente — desaconteceram, sumiram na descarga do Conselho de Ética. Sarney, o Comandante do Atraso, disse que não se sente culpado de nada. Está certo — seus servos decretaram que nada houve. Nossa frágil república esta sumindo. As tramóias e as patranhas de hoje são deslavadas, não há mais respeito nem pela mentira... Está em andamento uma "revolução dentro da corrupção", tudo na cara da população com o fito de nos acostumar ao horror.
Com a dissolução do PT, que hoje é o verdadeiro partido da "direita", com o derretimento do PSDB, o destino do país vai ser a maçaroca informe do PMDB (Oba! Vem aí o tesouro da legislação do pré-sal, a ser entregue a seus malandros-chefes, que já devem estar babando).
No entanto, justiça ao narcisismo deslumbrado do Lula, com seu projeto de si mesmo: nun¬ca nossos vícios ficaram tão explícitos, nunca aprendemos tanto de cabeça para baixo.
E, aí nossa única esperança: talvez estejamos aprendendo sobre a dura verdade nacional neste rio sem foz, onde as fezes se acumulam sem escoamento. Por exemplo: uma visão do cabelo do Wellington, a cara dura de seres como o Almeida Lima, o rosto feliz do Renan e do Juca nos ensinam muito. Que delicia, que doutorado sobre nos mesmos!
Já sabemos que a corrupção no país não é um "desvio" da norma, não é um pecado ou crime; é a norma mesmo, entranhada nos códigos, nas línguas, nas almas.
Aprendemos a mecânica da sordidez: a técnica de roubar o Estado para fazer pontes para o nada, viadutos banguelas, estradas leprosas, hospitais cancerosos, esgotos à flor da pele, orgasmos entre empreiteiras e políticos. Querem nos acostumar a isso, mas, pode ser (oh Deus!) que isso seja bom: perdermos o auto-engano, a fé. Estamos descobrindo que temos de partir da insânia e não de um sonho de razão, de um desejo de harmonia que nunca chega.
Até que enfim nossa crise endêmica está sujamente clara, em cima da mesa de dissecação, aberta ao meio como uma galinha. Meu Deus, que prodigiosa fartura de novidades imundas, tão fecundas como um adubo sagrado, belas quanto nossas matas, cachoeiras e flores. Como é educativo vermos as falsas ostentações de pureza, candor, para encobrir a impudicícia, o despudor, a bilontragem nas cumbucas, nos esgotos da alma... Que emocionante este sarapatel entre o público e o privado: os súbitos aumentos de patrimônio, fazendas imaginárias, açougues-fantasmas, netinhas e netinhos, filhinhos ladrões, a ditadura dos suplentes, cheques podres, piscinas em forma de vaginas, mandingas, despachos, as galinhas mortas na encruzilhada, o uísque caindo mal no Piantela, as diarréias secretas as flatulências fétidas no Senado, diante das evidencias de crime, os arrotos nervosos, os vômitos, tudo compondo o grande painel da nacionalidade.
Já se nos entranhou na cabeça, confusamente ainda, que, enquanto houver 20 mil cargos de confiança no país, haverá canalhas, enquanto houver estatais com caixa preta, haverá canalhas, enquanto houver subsidios a fundo perdido, haverá canalhas. Com esse código penal, nunca haverá progresso. Já sabemos que, enquanto não desatracarmos os corpos públicos e privados, que enquanto não acabarem as regras eleitorais vigentes, nada vai se resolver.
Já sabemos que mais de R$ 5 bilhões por ano são pilhados de escolas, hospitais, estradas. A cada punição, outros nascerão mais fortes, como bactérias resistentes a antigas penicilinas, e mais: os que foram desonrados no Congresso voltaram fortes e mandam no Legislativo. Temos de desinfetar seus ninhos, suas chocadeiras.
Só nos resta a praga. Isso. Meu desejo é maldizer, como já fiz aqui várias vezes.
Portanto, malditos sejais, mentirosos, negadores, defraudadores, vigaristas, trampistas, intrujões, chupistas, tartufos e embusteiros! Que a peste negra vos cubra de feridas pútridas, que vossas línguas mentirosas sequem e que água alguma vos dessedente, que vossas mentiras, marandubas, fraudes, lérias e aldravices se transformem em cobras peçonhentas que se enrosquem em vossos pescoços, que entrem por vossos rabos e fundilhos, e lá depositem venenosos ovos que vos depauperem em diarréias torrenciais.
Que a peste negra vos devore a alma, políticos canalhas, que vossos cabelos com brilhantina vos cubram de uma gosma repulsiva, que vossas gravatas bregas vos enforquem, que os arcanjos vingadores vos exterminem para sempre!
No entanto, além das maldições, sou um otimista inveterado: fico procurando algo de bom nessa bosta toda!
Talvez essa vergonha seja boa para nos despertar da letargia de 400 anos. A esperança tem de ser extirpada como um furúnculo maligno. Através deste escracho, pode ser que entendamos a beleza do que poderíamos ser!

10 de ago. de 2009

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O ensino em Angola
nos tempos muito idos!

Sempre se reclamou em Angola, bem como em todas as outras colónias portuguesas, da falta de conveniente ensino para todos. E tinham razão. Mas como podia Portugal dar a esses territórios o que ele mal tinha, quando tinha, dentro da sua metrópole?
A educação nos sertões, e quase só em Angola, estava a cargo das missões católicas, mas estas, sobretudo a partir da expulsão dos jesuítas, entram em decadência, maior ainda no final do século XVIII com as novas idéias da Revolução Francesa, depois a abolição das ordens religiosas, e a falta cada vez mais notória de “vocações”. Isto além do pouco tempo de vida que os dedicados missionários tinham naquele inóspito e doentio clima. Alguns chegavam ao seu destino já em padiola, carregados de febres, para morrerem sem se terem podido sequer levantar!
Sem querer fazer história, ou muito menos ensiná-la a quem quer que seja, é bom ir um pouco atrás e ver como Portugal entrou em franca decadência já no reinado de D. João III, O Piedoso introdutor da Inquisição!
Depois de Afonso de Albuquerque a Índia não cresce mais. Angola nesse tempo mal começa a despertar para os grandes negócios da escravatura, levando-se dali, quase como um “troco”, também marfim e cera, e vai consumindo gente que, face à aspereza do clima, dizimava europeus com uma velocidade impressionante.
O tempo vai passando e o Brasil é a única esperança de Portugal, sempre violentamente atacado no mar e terra por amigos ingleses e holandeses, e “inimigos” como os franceses. Mas cresce, e cresce com a mão de obra que os potentados africanos, sobretudo angolanos, lhe forneciam nas quantidades necessárias. E não só aos portugueses, porque traficavam, praticamente à vontade, nos portos de Angola, negreiros franceses, ingleses, dinamarqueses e outros!
As tentativas de colonização sempre deram errado. Em 1792 formou-se em Inglaterra uma sociedade de colonização que junto com a Companhia Francesa do Senegal, decidiu levar para a Guiné, para uma colônia agrícola, 275 pessoas, entre homens, mulheres e crianças, chegando aos Bijagós em Maio desse ano. Era a primeira vez que o povo dali via mulheres brancas, o que lhes causou surpreendente repulsa! Mas o clima não era para ingleses. Não tardou a que a maioria pedisse o repatriamento, o que se fez, tendo ficado somente 91. Em Novembro a doença tinha comido neles, e sobravam só 28, em Janeiro 13 e em Julho 7. Acabou-se a experiência inglesa na Guiné.
Quase duzentos antes da criação dos Estudos Gerais, em Angola e Moçambique, nome que se lhe dava para não ferir suscetibilidades aos doutores universitários em Portugal, um ano antes desta tentativa de colonização, em 1791, governava Angola D. Manuel de Almeida e Vasconcelos que, seguindo ordens recebidas da Corte, funda em Luanda aulas de medicina e anatomia! Aqui começam, de fato os Estudos Gerais de Angola. E ainda de geometria e matemática, tendo como primeiro mestre o segundo tenente de Artilharia António Manuel da Mata, enquanto sua mulher D. Tereza Maria de Albuquerque se encarregava duma escola feminina de “ler, escrever e contar”!
A seguir, no governo de D. António Saldanha da Gama, tentou-se levar para Angola a vacina anti-variólica, mas sem resultado. Mas prosseguem as aulas de matemática e geometria confiadas a outro oficial de Artilharia Francisco de Paula e Vasconcelos.
Nessa época a população total de Luanda, onde se concentravam os europeus e os angolanos mais evoluídos em estudos, alguns que já saberiam ler e escrever, não passava de 6 a 7.000 almas – de todas as cores, se é que alma tem cor! - depois de um acentuado declínio nos últimos dez anos de cerca de um terço da população! Decadência do comércio, clima, etc. tinham reduzido Luanda a uma situação de extrema penúria e dificuldade.
Assim mesmo, e com vista a um maior e melhor desenvolvimento, a Coroa, ainda no reinado de D.Maria I, já louca desde 1792, e portanto sob a regência do príncipe depois rei D. João VI, decide criar estudos superiores, e valorizar o conhecimento das mulheres.
Infelizmente estas tão louváveis iniciativas não tiveram a continuidade necessária e interrompeu-se assim um dos melhores meios de valorizar as gentes angolanas e a própria terra.
do Brasil, por Francisco G. de Amorim
10 ago. 09