26 de mar de 2009



Povo


Diz o bom e erudito Aurélio amigo, que “povo” é um conjunto de indivíduos que falam a mesma língua, têm costumes e hábitos idênticos, afinidade de interêsses, uma história e tradição comuns”.
Como estas circunstâncias não se coadunam com as gentes que habitam um território conhecido pelo nome de Brasil, os big lideres têm vindo, sistematicamente, a alienar partes do território, em favor de “outros” povos que, na realidade, em nada se identificam com a maioria dos habitantes deste Mundus Novus.
Começa logo pela premissa de que muitos, muitos, não falam a língua “oficial”, o português, logo, aos olhos dos supremos juristas da terra, começam por se desencaixar do povo brasileiro. Depois, no que diz respeito a hábitos idênticos, muito menos, e então sobre história e tradição comuns... nem se fala. Resta a afinidade de interêsses, e aí é c’a porca troce a cauda!
Os interêsses à volta da Reserva da Raposa do Sul, são semelhantes aos que estão a aflorar agora, depois de milênios congelados, no Ártico, onde se sabe que há petróleo, ouro, urânio, nióbio e de onde vão desaparecer os ursos, substituídos pelos grandes conglomerados exploradores de riquezas.
Tal qual a Raposa do Sul. Não tarda a chegada de “missionários”, do tipo daqueles ingleses bonzinhos que foram missionar em África no século XIX e se apoderaram de mais de metade do continente.
No entanto há qualquer coisa que começa a identificar, unificando, os costumes e a tradição de elevada porcentagem da restante população chamada brasiliense, que são os moralmente elevados e altamente culturais programas de televiasão Big Brother Brasil, que, além de terem profundos objetivos educacionais – basta o nome em inglês para provocar uma corrida à cultura inglesa – leva os babacas a considerarem que neste país (país?) um dia serão todos brôderes!
Mentira. As garotas e os garotos do BBB viram celebridades e o povo... vibra de entusiasmo e aprova o (des)governo.
Enquanto Obama para levantar a economia e a hegemonia dos EUA, aposta firmemente em educação, investigação, saúde e obras de infra-estrutura, o nosso (des)governo, tal como previ, afirmei e foi publicado há seis anos, não fez ABSOLUTAMENTE nada nestes anos todos, guardando uma grossa fatia do orçamento para obras eleitoreiras em final de mandato, a inaugurar em ano de eleições!
Propõe agora construir um milhão de casas populares – ninguém sabe com que dinheiro – mas a reserva do orçamento para aumento do funcionalismo público é cinco vezes maior do que o valor, hipotético, destas necessárias casas.
Isto significa:
1.- enquanto não houver adequada instrução, da primária ao superior, o povo BBB vai aplaudir o demagogo kxk, o samba e o futebol porque de pouco ou nada mais entende;
2.- a maioria do “povo brasiliense” acaba se transformando em funcionário público e junto com os beneficiários das bolsas família, bolsas dos mensalões, bolsas dos correios, das eternas e imensas propinas, das bolsas-cuecas, da possibilidade de enriquecimento mais rápido que um pequeno relâmpago de trovoada, como aconteceu ao filho do big kxk, que foi de empregado primário num zoológico a grande fazendeiro latifundiário e exportador de carne para a Europa em menos de 24 horas - votará SEMPRE na continuação do status quo que o alimenta e de quem pouco ou nada se exige;
3.- com a imensa inflação da máquina governamental, com elementos escolhidos entre os apaniguados, controlando o país de norte a sul, favorecendo as sociedades poderosas, sobretudo os bancos, com os juros mais altos do mundo, e ainda subsidiando movimentos terroristas capazes de enfrentar as Forças Armadas, se as houvesse bem estruturadas, é evidente que o Brasil não tem por onde enxergar e almejar subir para o patamar das nações desenvolvidas, apesar de ser considerado hoje o celeiro do mundo!
Dizem os árabes, desde há muitos anos, que a civilização ocidental está chegando ao fim, porque não possui mais aquele acervo de valores que lhe deu sua proeminência. (Sayyd Qutb, Cairo, 1964).
O Brasil não tem esse acervo. Podia ter um ainda mais rico, com a mistura de povos que o constitui. Mas não. Despreza-o, como despreza a sua história ensinando-a deturpada.
A esperança está, muito tênue, na diversidade de imigrantes que aqui procuraram refúgio, depois de terem vivido diversas formas de insegurança e/ou perseguição nos seus países de origem, desde a Inquisição, à fome na Europa no século XIX, às políticas, à esperança de um El Dourado, etc., e hoje o que querem é paz.
No tipo de governo atual, aliás (des)governo, a esperança até há pouco estava na emigração, que a crise mundial está a afetar.
Dentro, para progredir, evidente, na função pública, basta “matricular-se”, não em qualquer escola, mas nos partidos que são os “senhores da terra”!
Ou então no futebol ou no BBB.
Viva a cultura... e o povo. (Qual ?)
do Brasil, por Francisco G. de Amorim
26 mar. 09

22 de mar de 2009

O velho "Argus", em 1969, no Mussulo, sem piratas!

Piratas à vista !

Ninguém sabe ao certo quem foi o primeiro pirata, mas que é uma profissão antiga, desde que o homem começou a se deslocar pelos mares, é mesmo. E não havia piratas só no mar. Em terra eram chamados de salteadores, e talvez sejam até anteriores aos outros. Ainda lembro da preocupação de quem atravessava, já de carro, a Sierra Morena, no sul de Espanha, com medo de ser assaltado! Assalta-se hoje, sobretudo no Rio e em São Paulo, em plena luz do dia e na maior descontração, e em muitas outras cidades do mundo.
Piratearam, com a “falácia vigarista” de Carta de Corso, os ingleses, franceses, holandeses e outros mais, piratearam os árabes e portugueses nos mares da Índia e não só, os chineses nos seus mares a que os portugueses deram um basta, e como prémio receberam Macau de presente, piratearam os povos do norte de África no Mediterrâneo, todos eles usando sempre de grande ferocidade, continua a ser uma perigosa aventura passear de barco à vela nalgumas regiões do Caribe, e até o famoso e sempre admirado Joshua Slocum só não foi vítima de piratas primários porque seguiu o conselho do alemão que lhe sugeriu espalhar taxas (pregos) bem afiados no convés do seu “Spray”.
Hoje, na ordem do dia, estão os piratas da Somália. Diferem bastante dos clássicos, de perna de pau, olho de vidro e gancho num dos braços, e implacáveis nos seus ataques. Estes somalis tratam bem os reféns. Alimentam-nos e deixam-nos relativamente à vontade enquanto aguardam o pagamento dos vultuosos resgates. E estão todos ricos. Milionários.
Mas como começou esta nova onda? Em 1991 os “senhores da guerra” derrubaram o governo pró soviético, e a partir daí nunca mais ninguém se entendeu naquele país. Morreram dezenas de milhares de civis, a fome tomou conta de 75% da população, centenas de milhares de refugiados procuraram alcançar os países vizinhos, e a anarquia instalou-se.
As águas territoriais somalis são ricas em peixe e camarão. Muita gente, muitos pescadores viviam da pesca. Com a total ausência de governo, os pescadores ficaram ainda mais abandonados à sua sorte, e os “espertos” e bem equipados países pescadores, como a Índia, China, Rússia, franceses da Reunião e uns tantos outros, decidiram fazer a festa nos mares desta anarquia! Os pescadores somalis viram-se assim esbulhados, sem possibilidade de competir, e até escorraçados para fora dos seus mais ricos pesqueiros!
De entrada tentaram defender-se dando um tiro ou outro contra algum intruso o que não fez a menor diferença, porque o esbulho estrangeiro continuou.
A solução encontrada foi atacar qualquer um que por ali passasse, e pedir resgate. Não tardou a verificar-se que esta “indústria” era muito mais rendosa do que a pesca, e o crescer da pirataria foi imenso. Só em Novembro último os piratas tinham em seu poder 18 navios à espera do pagamento!
A Somália está hoje dividida em quatro ou cinco zonas de influência de diversos pseudo líderes. Não há governo, não há leis, não há nada. Há fome, mortes, apedrejamento de mulheres segundo as normas fanáticas da charia do Islão; só vivem como nababos os salteadores e, como é evidente, país nenhum se atreve a invadir a Somália para acabar com esta situação.
O que não está certo é o mundo condenar à priori os piratas somalis, sem penetrar no fundo da questão que acabou dando lugar a este descalabro.
Além disso, países onde se misturam extremistas, ou fundamentalistas, islâmicos, loucos pelo poder, com populações não árabes, como é o caso também do Sudão/Darfur, a normalidade, se algum dia vier a existir, está muito longe das atuais gerações.
Entretanto sofrem as populações mais pobres, e os países ricos terão que manter uma esquadra para defender o tráfego marítimo naquela região!
É este o século XXI!
do Brasil, por Francisco G. de Amorim
22-mar-09

16 de mar de 2009


Era o vinho meu bem...
era o vinho...

Os livros sobre vinhos são sempre muito bem acolhidos, sobretudo quando despretensiosos, de preço compatível, isto é ao alcance da maioria das bolsas, mesmo em época de crise e, por muito que cada um se julgue apreciador ou entendido em vinhos, há sempre alguma coisa que é novidade.
Nesta caso trata-se de livrinho, bilíngue, português e inglês, e português de Portugal, já o que seu título inequivocamente denuncia: “112 Conselhos para perceber de vinhos”! Se fosse edição brasiliana seriam conselhos para entender de vinhos!
Mas isso em nada desmerece este aconselhador. Linguagem simples, clara (precisa e concisa, como rezavam os manuais de comunicação militares há... mais de meio século!), e alegres ilustrações, a Maria João de Almeida, jornalista e grande especialista em vinhos, nos dá neste livrinho (em tamanho, só) uma série de dicas que, mesmo eu, bebedor desde também há mais de meio século (não admira!) achei oportunas e muito úteis.
Aqueles menos versados nas artes de Baco, encontram aqui um magnífico auxiliar para mais condignamente receberem os seus convidados e, acima de tudo, melhor poderem apreciar o mais antigo, e melhor, néctar do mundo.
Em Portugal, no Brasil e países anglofonos.
Parabéns à Maria João e... vai um copo à sua saúde! E à minha.
do Brasil, por Francisco G. de Amorim
16 mar. 09

O gênio, imbatível, do carioca

O Rio é, sem qualquer dúvida, ainda, a mais bonita, espetacular, simpática, cidade do mundo.
Tem assalto e homicídio a toda a hora, parece não ter governo ou administração que se interesse, a fundo, pela solução dos seus problemas, mas o Rio não perde a beleza, nem o carioca de gema perde o seu bom humor, a sua simpatia, o seu jeito de viver alegre e tirar partido de tudo que a sua imaginação fértil e sensacional criatividade lhe “propõe”!
As escolas de samba, um espetáculo único de cor e vida, é invenção carioca e hoje o grande cartaz mundial do Rio.
Mas... lá está a ausência de disciplina e administração, e então o carioca “quebra” o galho!
Todos os anos os órgãos de informação reclamam de falta de sanitários públicos onde o folião possa, depois de passar a noite a pular o Carnaval e a beber cerveja, tirar toda aquela “água do joelho”! E vá de fazer contra qualquer árvore, poste, esquina etc. Se não fizer isso, os desgraçados/as, apertados e já a caminhar de joelhos encostados, e que só tem esses três dias de liberdade total... irão parar ao hospital!
Este ano um dos gênios cá da terra resolveu um pedacinho, unzinho só, desse imenso problema: montou na borda do passeio, e em cima duma sarjeta uma barraca (toda a decência é pouca!) e cobrando cinquenta centavinhos a cada “apertado/a... aliviou um monte de gente e levou para casa mais uns “reais” que certamente lhe deram muito jeito!
Viva ele!
E os alugadores de cadeiras, toldos, etc. nas praias?
No começo da Barra tem outro gênio! Aluga cadeiras a 2 reais cada, toldos, mesas, vende bebidas geladinhas que são o refrigério de quem gosta de se tostar no calor “amoroso” das lindas praia do Rio, e ainda fornece um balde para que os fregueses depois de saíram da água e atravessarem o areal até às cadeiras, lavem os pés!
Como chamar o “fornecedor” quando se quer uma bebida ou um petisco fica difícil, e gritar, na praia, não adianta, o nosso gênio, conhecido como Russo, fornece a cada freguês um espelho! Para que? Para com o reflexo do sol acertar na cara dele ou do seu colaborador que imediatamente ficam a saber quem os está a chamar! O atendimento é impecável e rapidinho! Genial, né?
E ainda fornece um “extra” para os clientes VIPs: o balde para carregar água até a entrada do carro, para tirar a areia dos pés, que o cliente pode deixar na calçada. O retorno é com ele que o manda buscar!
Se tudo isto não fosse mais do que suficiente para deixar qualquer um beirando a entrada do céu, o Russo ainda recebe o pagamento com o cartão VISA.
Só no Brasil! Só carioca.
Vocês aí, que moram longe, o que estão esperando para vir ao Rio?
Tem mais: se lhe faltar dinheiro para ficar num hotel, ou se beber muito e esquecer o nome do hotel, tem já um exemplo digno de anotar na agenda da viagem. Há dois dias no Hospital Miguel Couto, um dos principais hospitais de atendimento a urgências e acidentes do Rio, de manhã uma enfermeira perguntou a um homem, de uns 30 anos, deitado numa maca, como se estava sentindo. – Muito bem! Eu não tenho nada. Entrei ontem aqui para dormir no ar refrigerado. Agora já posso ir embora, mas primeiro deixa eu tomar café, sim?”
Deviam ser nomeados, respectivamente, ministros da saúde, do turismo e da habitação!
Brilhante!
por Francisco G. de Amorim
16 mar. 09

10 de mar de 2009


Pode-se “fabricar” um povo?
- 4 e último -
Os “irmãos” na Palestina

Com a agonia do Império Otomano, e a conseqüente desagregação das regiões e países/povos a ele submetidos, no século XIX o médio oriente era quase totalmente dominado – administrado ? – pela Inglaterra e França.
Após a conquista pelo Egito da Síria e Anatólia, a Rússia acabou por intervir e a Turquia tornou-se uma espécie de protetorado da Rússia. Os ingleses apoiavam a reestruturação do império Otomano e os franceses tomaram o partido dos “rebeldes” egípcios.
Todo o Magreb, a Síria, Iraque, Palestina, a maior parte da Arábia e do Irão, e até o Egito “conquistado” com dinheiro, ficaram sob a custódia da França e Inglaterra, deixando à Itália a Cirenaica.
Em meados do Século XIX surgem, com esta confusa situação, os oportunistas “pensadores-historiadores” judeus, rebuscando passagens na Bíblia, para se autodenominarem um povo, uma etnia unida pelo sangue, e não um povo unido por uma crença ou religião e, em face da humilhação e desunião em que viviam os povos árabes, a exigirem a criação dum estado judaico.
Judeu passou a ser unicamente o descendente de Abraão, através de Isaac. Ismael, filho da escrava Hagar tinha, de acordo com as antigas leis, o mesmo direito que o irmão, e era o primogênito, mas Sara, invejosa, obrigou o velho Abraão a expulsar o que não saíra do seu ventre! Começa aqui a mentalidade racista! (Já fora a Eva que dera cabo da vida de Adão!)
Em época de grande fome, Isaac e sua linda mulher, Rebeca, foram recebidos e muito bem agasalhados pelos filisteus, os palestinos!
Diz a Bíblia que após regressarem, Rebeca, estando grávida e passando mal, consultou a Deus que lhe terá dito que ela aguardava dois filhos! Ela sentiu os fetos agitarem-se no seu corpo e logo “determinou” que eles já estavam lutando antes mesmo de nascer. (Alguém acredita que Deus terá falado com Rebeca?)
Mais tarde, Isaac a morrer, Rebeca engana o moribundo fazendo-o abençoar a Jacob, secundogénito apesar de gêmeo, em detrimento de Esaú, o que mostra uma vez mais como as lutas e as traições começam, cedo, no meio daquela gente.
Entretanto os judeus, que em vários milhares de anos se havia espalhado o judaísmo pelo mundo, pelas regiões mais ricas e comerciais, sobretudo a bacia mediterrânea, começam a querer acreditar na propaganda do “grande exílio” a que teriam sido submetidos quando da destruição do “segundo” templo de Jerusalém, em 70 d.C., pelos romanos. Alguns escritores chegam a afirmar que os romanos terão morto um milhão e cem mil judeus além de noventa e sete mil feitos prisioneiros! Jerusalém nessa época, talvez nem tivesse oitenta mil habitantes, e a maioria dos que lá vivia... lá continuou.
Reclamam a terra de seus “ancestrais”! Um dos primeiros passos foi começar a recolher dinheiro de askenazi e mandar comprar terras na Palestina. Compraram muita, e assim foram empurrando povos palestinos para fora de suas terras.
Paralelamente dedicaram-se, e ainda hoje, ao princípio de que judeu é uma etnia e não uma religião. Só os descendentes diretos de Abraão, via Isaac, são os “autênticos” judeus, os que “têm” direito a ocupar a terra de Canaã, e a desenvolver todos os esforços possíveis para concretizar a “volta a Sião”.
Tão ferozes foram nas suas intenções que, dentro da Alemanha se declararam um povo aparte, quando o germanismo, também feroz e racista, criava o principio do arianismo a que tão fortemente Hitler se agarrou. Consideravam-se judeus alemães e não alemães judeus! Foram cutucar em ninho de jararaca!
A insensatez chegou ao ponto de um professor judeu israelita, que já vivia em Tel Aviv, ter ido a Berlim consultar um dos piores carrascos de Hitler, no princípio dos anos 30 do século XX! O carrasco defendia a teoria da pureza da raça germânica e sua origem ariana, e o judeu a judaica em linha direta, desde Abraão! Sem se entenderem, nem discutirem qual a melhor, concluíram que se um estava certo o outro não estava errado. O professor judeu saiu do encontro feliz com a sua crença! Não tardou a começar na Alemanha a “limpeza étnica”. Os primeiros a pagarem essa criminosa loucura foram os ciganos, de quem aliás ninguém fala, porque lhes falta força política e financeira. Logo a seguir os próprios judeus!
Um outro “intelectual”, tornou-se admirador e seguidor das práticas de Hiltler. Quando este transferiu um milhões e meio de poloneses e judeus e os substituiu por alemães, escreveu: “O mundo se acostumou à idéia de migrações em massa e quase se pode dizer que passou a gostar delas. Hitler por mais odioso que seja para nós, deu excelente reputação a esta idéia!” Apesar de, como diz, ter odiado o louco nazi, ainda teve o desplante de afirmar que “um acordo voluntário entre nós (judeus) e os árabes da Palestina (não falou em Israel) é inconcebível, atualmente ou num futuro previsível, precisamente porque eles não são um mero ajuntamento mas uma nação viva”!
Com todo o seu poderio financeiro e a imensa propaganda que lhes valeu o holocausto, e porque os Estados Unidos não queriam aceitar mais imigrantes judeus, decidiu-se procurar uma “terra” para onde pudessem ir. Foi-lhes oferecido uma parte da África do Sul, Uganda ou Madagascar, sem ninguém levar em consideração os nativos destas terras. Mas eles queriam Canaã. A Palestina.
Na confusão do final da II Guerra Mundial, os ingleses capitularam perante a insistência sionista e a ONU concedeu uma área grande de terra, para se criar o Estado de Israel. Fácil foi oferecer algo que não lhes pertencia!
Logo de entrada, na própria constituição israelense, se declara que são cidadãos do Estado de Israel todos os judeus “de sangue” de todo o mundo. Os prosélitos, os convertidos, diz a Tora, são como psoríase! Quer dizer, podem praticar o judaísmo, mas são nojentos!
Se assim pensam em relação a outros judeus imagine-se o que pensam em relação aos palestinos a quem roubaram as terras!
A certa altura, com falta de mão de obra para os kibutz, Israel lembrou-se dos seus “irmãos” negros, os falachas da Etiópia. Com a miséria secular que reina neste país, logo de entrada largos milhares se ofereceram para imigrar. Mas nem todos foram aceites. Ainda hoje há uma espera angustiante daqueles que acreditando ser judeus não conseguem seguir para a “Terra Prometida”, onde nunca se integram, porque etíope negro, de certeza não será descendente de Abraão. Pode ser de português. Das centenas destes que no século XV por lá ficaram a tentar ajudar o rei cristão, e criaram famílias.
Hoje Israel, dependente de mão de obra barata e de maciças subvenções externas, continua a não olhar para os verdadeiros nativos da Palestina. Afasta-os, despreza-os, não lhes dá o direito de voto nem de cidadania.
O que esperam que aconteça? Um milagre do Deus do Antigo Testamento, feroz e vingativo? Que os judeus do resto do mundo se cansem de subsidiar um estado racista? Que os árabes fiquem mais 100 anos com aquele espinho atravessado na garganta?
Morrer na Jihad é uma honra e uma benção para qualquer muçulmano. Por isso os ataques idiotas do Hamas com bombinhas.
Se não se olhar para o “Outro” com olhos de irmão... o conflito continuará a eternizar-se!
do Brasil, por Francisco G. de Amorim
10 mar. 09

7 de mar de 2009


Pode-se “fabricar” um povo?
- 3 –
As hierarquias e os sábios

Com algumas exceções, possivelmente raras, a maioria de nós durante a vida trabalhou para terceiros, quer fossem empresários ou função pública, e quantas vezes discordámos com atitudes que considerávamos erradas, que prejudicavam o público ou os clientes, chocando quase sempre nos “galões” do chefe ou do patrão, auto-alcandorado a sábio infalível, por erro de quem o promoveu ou lhe deu dinheiro para se estabelecer.
É quase matemático o princípio de Peter: "Em um sistema hierárquico, todo o funcionário tende a ser promovido até ao seu nível de incompetência." Boa parte é promovida por carregar a pasta do chefe, por arranjar uns “arranjinhos” ao patrão, porque, ninguém sabe como foi possível, mas terminou uma faculdade, etc. E depois o mundo funciona mal.
Estamos hoje a assistir a uma calamidade financeira, já que a social é crônica e vai continuar, mercê dos espertos “donos da verdade”, que rebentaram com o mundo.
Mas isto até vai ser bom, porque as crises geram novas soluções, novo dinamismo, e enquanto não se voltar ao mesmo princípio de Peter – sempieterno – alguma coisa pode mudar. Foi sempre assim, não só no mundo laico como no religioso.
Vejamos os cristãos. Quando o Império Romano acabou em Roma e se estabeleceu em Constatinopla, que era Bizâncio e acabou em Istambul, os cristãos do oriente e do ocidente, tendo seguido princípios dogmáticos diferenciados em relação a Cristo, procuraram entender-se em diversos concílios, sem terem alcançado a união que seria desejável. Entretanto o Papa, respeitado pelos tártaros que ocuparam Roma, sentiu-se um espécie de “chefe” também temporal, dos romanos, apoiado pela aversão destes aos invasores, e procurou desde então unir os cristãos de todo o mundo sob a sua sege. O resultado foi o afastamento das várias igrejas, primeiro do oriente e norte de África, e culminou no século XVI com a Grande Reforma, os protestantes, que por sua vez se dividiram em “n” outras linhas teológico-filosóficas, como calvinistas, anglicanos, etc.
E a Igreja Católica continua cheia de problemas, não já por razões de dogmas (e até...) mas por dissensões motivadas pela dificuldade em se adaptar aos tempos modernos. Tudo isto pela quantidade de “patrões” que “comandam” a igreja e, talvez com medo de perder seus purpúreos cargos, não sejam capazes de perceber que põem assim a perder, cada vez mais, o número de católicos em todo o mundo. A falta do tal aggiornamento!
No Islão algo se passa também, e desde que o Profeta morreu. Quem devia assumir o comando do mundo muçulmano? Quantos califas apareceram? Os descendentes de Fátima e Ali, de al’-Abbas, tio de Maomé, de Abu Talib pai de Ali, de todos eles e muitos mais? Os descendentes da família do Profeta, que se multiplicaram em milhares através dos tempos, todos tinham hierarquia e trato especial e nem eram julgados pelas leis comuns! Quem aceitava, sem se afastar, de interpretações diversas de vários homens sábios sobre algumas passagens do Corão? Se hoje os grandes grupos no Próximo Oriente são sunitas e xiitas, ainda há sauditas, alauitas no Marrocos, e outros mais, separados exatamente por causa da hierarquia e do comando dos povos, e a forma encontrada de os manter, por enquanto, em relativa união, depois das muitas guerras e disputas entre eles, além das orações obrigatórias em determinados horários, a que ninguém pode faltar, está a peregrinação anual a Meca.
O pensador Ibn ‘Arabi, de origem andalusa, foi de entrada desprezado, e só reconhecido quase quatrocentos anos depois, por um dos sultões otomanos, que depositou os seus restos num imponente túmulo que virou lugar de peregrinação, em Damasco.
Pelo fato do Irã se ter tornado uma potência nuclear, o “equilíbrio” de toda a região está seriamente ameaçado, mesmo que todos os muçulmanos se considerem, forçadamente, irmãos, mesmo assassinando-se como no Darfur, onde o genocídio não pergunta, antes de dizimar, qual a religião do “outro”! Tudo pelo poder. A hierarquia.
Finalmente algumas considerações sobre os judeus. Os mesmos problemas se passam com esta gente. Hoje a luta pelo poder em Israel é grande, mas como qualquer judeu, de qualquer parte do mundo, é considerado cidadão israelita, na altura das eleições, rabinos de todo o lado, os mesmos fariseus do tempo de Cristo, avançam, demoram o tempo suficiente para votar nos partidos rabínicos e, a continuar assim, a evolução para um estado democrático, de direito, jamais vai acontecer.
Os judeus deixaram de seguir a Bíblia porque o original (?) contém algumas passagens que os “incomodam”. Preferem a Torá e o Talmude, com as interpretações e sumiços que os “grandes sábios” fizeram e continuam a fazer, porque é esta a única maneira de manter o seu status quo.
Pode dizer-se que há também no universo judaico muitos “protestantes”. Mas como não têm um “papa” o seu afastamento é menos sentido. Mas é fácil ver o comportamento dos judeus, por exemplo, aqui no Brasil. A sinagoga para uma grande parte deles é um lugar de culto, sim, mas onde só se vai por estrita obrigação, alguns mesmo uma única vez na vida e às vezes nem isso. Também eles não precisam de rabinos, sobretudo dos farisaicos e intransigentes.
Em qualquer religião os homens SANTOS são fundamentais (e eu tive privilégio de ter conhecido alguns), pelo seu exemplo, a sua ética a sua moral, e nestes casos até mesmo se for ateu. Mas sábios que intrepretam a “palavra de Deus” a seu bel prazer e conveniência?
Não sabemos se foi Sócrates o primeiro a mandar-nos: conhece-te primeiro a ti mesmo! Ele não negou a necessidade de aprendizado, mas negou a hierarquia quando, como mestre, se recusava a ter discípulos.
Para terminar esta apreciação sobre as hierarquias, é bom repetir o pensamento de Gabriel Garcia Marques: “Um homem só tem o direito de olhar outro por cima quanto está a ajudá-lo a levantar-se!”
Vamos ver na continuação quem está a ajudar quem, e o porquê dos desentendimentos...
do Brasil, por Francisco G. de Amorim
6 mar. 09

2 de mar de 2009


Pode-se “fabricar” um povo?
- 2 –
As verdades (?) da Bíblia

A Bíblia é o livro dos livros, o livro sagrado, até para os muçulmanos apesar destes considerarem o Corão como o livro único.
Ninguém sabe quando a Bíblia foi escrita, nem por quem, mas por incrível que pareça há quem continue a acreditar que o mundo começou com Adão! De acordo com a Torá o mundo teria 5.763 anos, o que deixaria os dinossauros perplexos, sem terem tido tempo sequer de existirem!
Se Adão e Eva são uma metáfora, o que se dirá, por exemplo de Matusalém que teve o primeiro filho aos cento e oitenta e cinco anos e viveu até aos novecentos e sessenta e nove? E o simpático Noé que, com seiscentos, teve um trabalho imenso em construir uma barca para comportar um casal de todos os animais do mundo, e viveu até aos novecentos e cinquenta?
E Moisés? Será que conseguiu todos aqueles milagres para levar os judeus para a “terra prometida”? Para quê, se afinal sairia do Egito para Canaan, que pertencia igualmente ao Egito?
A história é hoje uma ciência, quase tão precisa quanto a matemática. Mesmo quando há registro escrito, a arqueologia, para os tempos antigos é fundamental, para confirmar, duvidar, ou até negar o que nos foi transmitido.
Por muito que se tivesse já pesquisado, no monte Ararat não se encontra o menor indício de restos de alguma “nau”, que, a ter existido, deveria ser de dimensões gigantescas. Do mesmo modo a famosa subida de Moisés ao monte Sinai. A montanha que é conhecida com esse nome fica no sul da península de Sinai, numa região por onde dificilmente o povo que teria fugido do Egito poderia ter passado! E se Moisés levou cerca de um milhão de pessoas consigo, como é possível que não apareça uma única evidência da estadia dessa multidão no deserto? E foram alimentados pelo “maná”? O maná, a seiva de um inseto que aparece nas estações chuvosas (e raríssimas, no deserto) daria para alimentar um milhão de bocas durante quarenta dias? Além disso, nessa época, que se calcula (em teoria) que terá sido cerca de 1.200 a.C., já os egípcios registravam a história com minúcia, em papiros, placas de argila ou pedra, não seria admissível que tivessem deixado em branco a descrição das desgraças que lhe teriam caído em cima como tão extraordinária aventura. Impossível.
Ainda a arqueologia continua a procurar evidências do grande reino de David, sem encontrar mais do que raras referências a um pequeno grupo. E Salomão? Filho de David e de Betsabé, esposa de Urias, ambos hititas? Apesar da proibição, ainda hoje, de um judeu casar com uma mulher não judia, porque seus filhos não são considerados judeus, a primeira mulher de Salomão foi Anelise, egípcia, filha do faraó, além das outras setecentas mulheres e mais trezentas concubinas! Quais seriam os filhos judeus e os não judeus?
Por aí vai a “Bíblia histórica”, à qual não resta grande base científica, menos ainda para confirmar o que o atual Estado Judaico quer fazer crer: que os romanos, em Jerusalém 68 d.C., terão morto cerca de um milhão de judeus (nessa época a cidade teria no máximo 50 a 100.000 habitantes!) e destruído o GRANDE templo, que teria sido construído e reconstruído quatro vezes. Mas... até hoje não se consegue encontrar qualquer vestígio desse grande templo! É pena.
Alguém acredita também que Ulisses tivesse tapado com cera os ouvidos dos seus companheiros para só ele ouvir o canto das Sereias e assim salvar a sua viagem?
As “histórias” antigas estão cheias de mitos, como o milagre da batalha de Ourique em 1139 (mantém-se a dúvida que tenha havida qualquer batalha!) onde “apareceu” a Afonso Henriques a mesma cruz que o imperador Constantino viu em 312 d.C. antes também de uma batalha, da Ponte Mílvia, e circundada pelos mesmos dizeres “In hoc signo vinces”!
É preferível considerarmo-nos descendentes da “vovó” Lucy, que andou por este mundo há mais de 3 milhões de anos, do que de Adão e Eva há menos de seis mil, apesar da opinião de antropologistas da Universidade de Tel Aviv que publicaram um estudo, levantando sérias dúvidas sobre o papel da "Lucy" como antepassado de toda a humanidade, até porque não está de acordo com a verdade bíblica!
(a continar...)

do Brasil, por Francisco G. de Amorim
1 mar. 09