27 de jan. de 2011

Começamos hoje a série de

"CATURRICES"
.
de A. Palhinha Machado

LIGADOS À MÁQUINA - I


 Sente-se bem, Caro Leitor? Cheio de genica, de projectos, de entusiasmo, nesta rentrée? Confiante no amanhã? Com vontade de fazer coisas, de correr mundo, de partir à aventura?

 Pois desengane-se! Desde há meses a esta parte só vive porque a “máquina” o mantém vivo. Sem ela, já teríamos, os mais de nós, dado o triste pio – dalits de mão estendida à caridade do mundo.

 A “máquina” tem nome, para que possamos manifestar-lhe o nosso reverente agradecimento. Aliás, são duas máquinas:

- Uma, de terapia assim a modos que intermédia, vulgarmente conhecida por “Mercado Interbancário do Euro” (MIE) – e desde 1997/1998 que não sabemos passar sem ela;

- A outra, o “Banco Central Europeu” (BCE; ou “Eurosistema” para os mais íntimos), de terapia intensiva (do mais intensivo que há), vale-nos só a partir de 2008/2009 – mas, por vezes, não basta.

 O “sopro de vida” que delas recebemos tem nome também: liquidez (na maior parte, sob a forma de Euros; aqui e ali, porém, em moedas mais exóticas, como o Kwanza angolano).

 O coma está diagnosticado: excessivo endividamento junto de uns, poucos, credores estrangeiros (para todos os demais, há anos que somos dalits). Entenda-se: dívidas do Estado, dívida dos Bancos e dívida de uma meia dúzia de empresas - dado que o vulgar cidadão e os seus negócios nunca encontraram quem, de lá de fora, lhes emprestasse directamente um chavo.

 A maleita vem em qualquer compêndio: povo pobre com gostos ricos - mal aparece quem fie, o endividamento corre como fogo em mato seco.

 Infectados pelo vírus dos “direitos adquiridos”, padecendo cronicamente de “devaneios a realizar custe o que custar”, teimamos em viver muito acima das nossas modestas posses - numa vertigem tal que o coma do endividamento é cada vez mais profundo.

 Maleita antiga, pois desde meados dos anos ’90 que a Balança de Transacções Correntes (BTC) regista deficits enormes e sem paralelo na OCDE. Por palavras simples: muitos dos nossos devaneios só se tornam realidade lá fora - e têm de ser pagos em moeda forte. Quer o destino que o grosso dos nossos meios de subsistência (energia, alimentos) também.

 O prognóstico, esse, não poderia ser mais reservado: com a terapia intermédia praticamente esgotada, só nos resta a terapia intensiva. Apesar disso, a moléstia que nos deixou neste estado não dá sinais de ceder: continuamos a não perder nenhuma oportunidade para nos endividarmos sempre mais.

 Estamos, então, nos “Cuidados Intensivos”? Qual quê! Até agora, ninguém cuidou de nós. Nem nós próprios. Jazemos para aqui, imobilizados e vegetativos, à mercê da “máquina” – delirando com dinheiro a rodos, fingindo não ver que a rica vidinha destes últimos 15 anos terminou de forma abrupta e terrível.

 E se a “máquina” parar? E se os “donos da máquina” entenderem que é melhor desligá-la? Ficamos, os mais de nós, para aí, inertes e atarantados, sem saber que voltas dar à vida.

 Os poucos de entre nós que não precisam da “máquina” para nada, que vivem por eles próprios, que são competitivos nos mercados internacionais e financeiramente equilibrados, esses, continuarão rumo ao seu futuro, aos seus Cataios, às suas Índias, às suas Áfricas, aos seus Brasis – deixando-nos para trás como carga inútil, pesos mortos. Temem, apenas, que os arrastemos também para o coma profundo – e têm razão para temer.

 Como foi possível termos chegado a isto? Perguntam, agora, mesmo aqueles que para isto nos empurraram; aqueles que tinham a obrigação de nos alertar para isto; aqueles que eram pagos justamente para evitar que isto acontecesse. (cont.)

A.PALHINHA MACHADO

































26 de jan. de 2011

.
Com a devida vénia, reproduzimos hoje um interessante artigo do jornal.

Legitimidades e vilezas

ROBERTO DaMATTA

Um traço visível, insofismável e indelével de nosso patriarcalismo escravista que curiosamente Gilberto Freyre não associava ao Estado, mas somente a sociedade, é — em toda tentativa de modernização — uma profunda crise de legitimidade. As regras não se encaixam aos comportamentos ou sequer com as suas implicações jurídicas. Essa incongruência surge em quase todos os domínios do chamado "estado", que confundimos (propositadamente ou não) com o seu lado mais personificado, o "governo" (que é sempre de alguém). O resultado e a vil transformação do legítimo em ilegítimo, tal como ocorre quando um tribunal condena um inocente. No momento chama atenção a questão da aposentada-ria de governadores, um sistema que permite acumular múltiplos benefícios de tal sorte que os "patrões do estado" (relativamente eventuais, mas com um olho grande nas vantagens permanentes) transformam a administração publica num mecanismo de enriquecimento pessoal a competir com o seu lado altruístico e "social". Neste processo, o Estado deixa de ser um sistema destinado a prestar serviços à sociedade. Só há grana para pessoal, não há como investir em educação, saúde, transporte e segurança.
Estou convencido que tal modelo nasceu na matriz aristocrática imperial somada ao neo-stalinismo, tão popular entre os "desenhistas" que sucessivamente reformaram (com um extraordinário pendor para o pior) a nossa administração publica. Tais engenheiros, chamados nos governos militares de "tecnocratas", sempre foram travestis dos velhos letrados ibéricos, bacharéis em Coimbra, e crentes num platonismo jônico que ate hoje proclama a letra da lei como tendo o poder (tal qual uma fórmula mágica) de modificar a realidade, resolvendo suas contradições. Esse fetichismo jurídico-político tem sido dominante na política brasileira. E dele que vem um brutal centralismo e o poder avassalador que faz com que um presidente tenha a capacidade de nomear milhares de pessoas e de distribuir para os ávidos comedores do bom presunto desse velho Reino de Jambon inúmeros cargos e instituições. Haja, porém, dinheiro para sustentar cada vez que tais mudanças sempre centralizadoras são feitas, causando roubos e rombos de todos os tipos. Numa fórmula, fizemos a república, mas jamais admitimos viver num sistema republicano. E os recursos da sociedade, furtados pelo Estado, são os construtores de uma curiosa dualidade: de um lado os milionários por ele vitaliciamente mantidos; do outro, os milhões de pobres e desvalidos que vibram quando recebem uma bolsa de pobreza! Tudo isso sob a égide de políticos bem vestidos e falantes, prontos para politizar tudo, até mesmo a política!

*******

Um amigo faz o desabafo: minha filha separou-se! O marido deu-lhe um cartão vermelho e fugiu de casa como um foragido da lei.
— Sei como é difícil... Mas com diálogo e bom senso tudo se resolve — repliquei, sabendo do poder desse tipo de tempestade.

— Pois, professor, bom senso e justamente o que não há. O fdp recusa conversar. Sabe como tocar no coração da minha filha, que se casou novinha e o tinha como modelo e mentor. Procrastinador, ele adia tudo e recusa ate mesmo os filhos que, moços, vão enxergando o pai como uma figura cada dia menor aos seus olhos. É de cortar o coração...

— Sabe qual é a ultima? Ele agora quer o seu nome de volta. Imagine, todos os documentos de minha filha tem o nome de casada e ele, sabendo como feri-la mortalmente, quer um pedaço daquilo que se incorporou a sua identidade. Na ultima conversa que tiveram, ela recusou e ele propôs, veja que vileza, vender o seu nome por algumas dezenas de milhares de reais. O senhor já viu isso alguma vez?

— Vi! — respondi com o coração partido pela contundência que a infâmia sempre produz.

E o Brasil moderno. Pelo partido come-se o Jambon, pelas ideologias fica-se rico, pelo nome de merda de uma família de bosta, um pobre diabo exige dinheiro da ex-companheira que o amou e que honrou esse mes¬mo nome que ele hoje desonra com todas as forcas do seu mau caráter.

*******

Que o leitor perdoe o mau humor do cronista que são não fala do flagelo dos deslizamentos e os comentários cretinos que provocam para não morrer do coração.

Mas onde a legitimidade transborda ilegitimidade, revelando o investi-lo do sistema, e quando ocorrem es¬ses acidentes que reiteram não o trágico e o aleatório dedo da natureza, que não escolhe lugar ou pessoa, mas o uso do trágico para encobrir o descaso dos gestores públicos, no Brasil chamados eufemisticamente de "políticos", uma palavra que, sabemos todos, inclui tudo menos responsabilidade pública. E por isso eu proponho não mais usá-la e bani-la do nosso vocabulário, substituindo-a por gestor, gerente ou administrador publico. Pois esses termos trazem a tona a dimensão de serviço e de desprendimento que os representantes desempenham nas democracias modernas como mediadores entre a sociedade e os seus grupos e o estado, por meio da governabilidade que exercem nos parlamentos e nas administrações coletivas.


ROBERTO DaMATTA é antropólogo. Texto retirado de “O Globo” de 26/jan/2011

23 de jan. de 2011

.
No princípio era o caos...

E no fim ?



No princípio Deus criou a terra e os céus. Depois foi o caos, a confusão a bagunça. Houve que separar trevas da luz, terra da água e criar os animais.
E criou micróbios, amebas, insetos, insetívoros, herbívoros, carnívoros, e depois o homem matador e ganancívoro.
No relógio cósmico, o homem, que chegou por fim, ainda agora acabou de chegar. Em escala, desde o Big Bang, que terá acontecido há mais do que muitos anos, nós, os humanos, nem sequer sabemos ainda onde estamos, nem o porque de aqui estarmos.
Com todas estas crises, guerras, roubalheiras, desastres naturais, assassinatos entre príncipes e/ou magnatas e outros, destruição sistemática e consciente do meio ambiente, sobretudo das águas dos rios e fontes, há quem diga que isto é o fim do mundo, ou, de acordo com uma nova e muito interessante revista, Finis Mundi.
Se pensarmos que a terra “apareceu” há uns tantos bilhões de anos, e que o tal caos reinou por uns outros tantos, até aparecer a vida (vida sempre houve, que vida não se cria do nada!), o homem em vez de estar já no fim do mundo, ainda está no caos.
Ainda está a construir a Torre de Babel para se desentender!
Não há na história natural, indivíduos que da mesma espécie se matem entre si tanto como os homens têm feito. Pior, quando todos se consideravam cristãos, e cuja única palavra de “ordem” seria: AMOR.
Basta lembrar a Guerras das Rosas, o massacre de Saint Barthelemy, o Terror da Revolução Francesa, as guerras Napoleônicas, a, ainda hoje odiada, Inquisição, a guerra da Independência dos EUA, e tantas, infinitas, outras, como a Batalha de Aljubarrota.
Mataram-se por dogmas absurdos, como Trindade ou Dualidade, condenaram-se à morte cristãos porque “teimavam em benzer-se” com quatro dedos, depois com três, porque um “teólogo” dizia que tinha que ser só com dois, chegou a ser pecado grave persignar-se da esquerda para a direita, e quando os mercenários russos ouviram do bispo que Jesus dissera “Não haverá primeiro nem último”, cortaram o pescoço ao bispo, ajoelharam junto ao altar e esperaram que Espírito Santo baixasse sobre eles e o cadáver do bispo, e a seguir avançaram sobre o Kremlin para matar a família dos czares! Lutaram os cristãos, e lutam, entre si por privilégios financeiros, criaram as igrejas reformistas, dividiram-se em múltiplas, imensas “igrejas” (continuam as igrejas-comércio enganoso a prosperar como mosquito em águas paradas), e agora assistem, impunes, incapazes de suster o avanço do islão, unificado sob a palavra de Maomé!
Hoje, no mundo ocidental, chamado cristão, ou, no mínimo, herdeiro da civilização greco-romana, vemos a brutalidade da finança a esmagar, de qualquer jeito, os mais pobres, a frieza com que a indústria financeira experimenta ou coloca medicamentos no mercado com terríveis efeitos colaterais (todos os medicamentos os têm), a hipocrisia da venda de armas, aos parceiros ou até aos adversários, e ainda somos obrigados a assistir, neste mundo ocidental, a um violento declínio da ética, e a um caminho, sem retorno, para a extinção! Extinção esta que é consciente, mas irresponsável!

Toda a gente sabe que não se pode viver de empréstimos. E eles, os rapaces e incapazes governantes, também sabiam, e sabem, e assim mesmo, na sua visão destruidora, preferiram ajudar a abreviar a agonia dos seus povos.
A turba, que passa da adoração à raiva, e desta ao medo, não sabe ainda, fora raras exceções, conduzir o seu destino. Vota no demagogo, no fala barato, grita de entusiasmo pela vitória destes, e quando não se satisfazem com as esperanças vãs, apedrejam-nos. E não se satisfazem nunca, porque é cada um por si, e raros, raros, pelos outros.
E no fim? Vem à memória a única esperança que talvez nos reste, além da benevolência do Criador, na sua infinita bondade, em nos levar para lugar seguro: o Quinto Império, a salvação terrena!
Razão parecem ter Bandarra, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.
“Bem aventurados os humildes de espírito que deles será o Reino de Deus.”


Rio, 24/01/2011
















12 de ago. de 2010

.
Frases e linguajar para a

História




Nada melhor do que viver num país em que todos os dias se aprende algo para que a história, um dia, “nos contemple”, e... chore! Sobretudo palavriado porco!
Há dois dias o grande big líder ao visitar uma favela, recebeu um garoto de oito – 8 – anos! Este queixava-se que na quadra desportiva do seu bairro, não podia jogar tênis. Resposta imediata do grande chefe, o “pai dos pobres”: Isso é desporte da burguesia, porra! Porque você não faz natação?Porque a gente não pode entrar na piscina! – Porque? – Porque não abre para a população!
Naquela quadra esportiva... a piscina não funcionava, ou estava fechada ao público!
Retorquiu o grande chefe para o governador que o acompanhava: “No dia em que a imprensa vier aqui e pegar um final de semana com essa porra fechada, o prejuízo político será infinitamente maior do que colocar dois guardas aqui”!
Beleza! O povo paga a piscina, não pode entrar nela, e o lula só se preocupa no caso da imprensa flagrar a cena. O povo... que se lixe!

Entretanto os digníssimos ministros do supremo tribunal federal, (o STF) querem um aumento de 14% para eles e 56% para os servidores. Para mim, um Zé ninguém neste contexto, e alguns outros talvez milhões, o governo levou quatro meses para decidir se havia de corrigir as aposentadorias em 6,40% ou 7,16%. Decidiu-se, em vésperas de eleições, por este “bodo” de mais 0,76%!!! Foi uma felicidade: fui aumentado em R$1,27. Cincoenta centavos de Euro! “TOU RICO”!

Mas voltando aos famosos juízes do supremo: foi agora aposentado, por limite de idade, um que fora nomeado sabendo-se que tinha um processo em primeira instância! Recebera, distraidamente, 2,7 milhões de Reais do metrô paulista!...

Para a vaga aberta entrou outro que está igualmente condenado em primeira instância.

Vai acreditar em quem? Papai Noel? Coelhinho da Páscoa?
Diz o governo que o país criou, em 2009, 1,7 milhão de empregos! Viva!!! Mas... cerca de 500 mil foram cabides de emprego na administração pública (olha as eleições à porta!), mais outro tanto em serviços, que não se sabe bem que serviços são, e o restante... ah!, do restante alguns para a indústria!
Mas como o país, segundo a ONU, tem o 3º pior índice de desigualdade do mundo, só ficando à frente do Haiti, Camarões, Madagascar, Bolívia e poucos mais... está tudo bem e o “gajo”, com mais de 70% de aprovação popular, deve reeleger a sua afilhada! Que ninguém sabe como, mas consegue ser pior do ele!

Êta povo ignorante!



11/08/2010

2 de ago. de 2010

Alguém se lembra da Revolução Bolchevique de 1916 ?  Ou da cubana de Fidel ?  Quando um indivíduo ou uma família podiam ser postas fora de suas casas... sem piar?
Vejam o que por aqui se prepara!

Festival de arbitrariedades



por DENIS LERRER ROSENFIELD

O programa de governo da candidata Dilma Rousseff foi muito contestado por ter sido, em sua primeira apresentação, uma copia fiel do programa do PT de fevereiro de 2010. A polêmica suscitada fez com houvesse uma substituição por um novo programa, de julho deste ano, que introduziu poucas alterações substanciais, entre elas, retirando a dita mediação no cumprimento de mandados judiciais de reintegração de posse.
Observemos que o Plano Nacional de Direitos Humanos-3 foi muito criticado por seu forte componente liberticida, numa lista quase interminável, na qual constava igualmente o estabelecimento de condições restritivas para o cumprimento de decisões judiciais de reintegração de posse. Tendo sido este ponto retirado, pareceria que o contencioso estaria resolvido. Certo? Não, errado!
A relativização de decisões judiciais já esta em curso, em um evidente desrespeito para com o Poder Judiciário. Em 11 de abril de 2008, foi editado um Manual de Diretrizes Nacionais para a Execução de Mandados Judiciais de Manutenção e Rein tegração de Posse Coletiva, pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, Departamento de Ouvidoria Agrária e Mediação de Conflitos. Ou seja, o que o PNDH-3 procurou fazer foi apenas tornar legal uma medida em curso, com o Ministério de Desenvolvimento Agrário decidindo as condições de cumprimento de decisões do Poder Judiciário. É espantosa essa ingerência em decisões de um outro Poder, como se a Ouvidoria Agrária pudesse decidir por ela mesma sob quais condições pode ou não operar a Polícia.
Chama atenção o vocabulário utilizado. As invasões, com sequestro de pessoas, destruição de maquinário, morte de animais, uso ostensivo de facões, às vezes de armas de fogo, utilização de crianças como escudos, incêndio de galpões, são denominadas de "ocupações". Se uma pessoa tiver sua casa ou apartamento invadidos, não se esqueça, não se trata de uma invasão, mas de uma "ocupação". Como se não fosse suficiente, a cartilha fala dos "direitos humanos" dos "ocupantes", não dos "ocupados", isto é, dos invadidos.
A inversão é total. Quando da proclamação da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, em 1789, no inicio da Revolução Francesa, ficava claro que ela visava aos direitos fundamentais dos indivíduos, dentre os quais os direitos de expressão, circulação, pensamento e de propriedade. Ora, estamos diante de uma verdadeira perversão, pois a doutrina dos direitos humanos esta sendo usurpada para sufocar os direitos individuais e o direito de propriedade, sem os quais falar de direitos humanos se torna uma expressão vazia.
Dentre as providências do manual, consta que a unidade policial, ao receber a "ordem de desocupação", deverá articular com o "Ministério Público, o Incra, a Ouvidoria Agrária Regional do Incra, a Ouvidoria Agrária Estadual, a Ouvidoria do Sistema de Segurança Publica, as Comissões de Direitos Humanos, a Prefeitura Municipal, a Câmara Municipal, a Ordem dos Advogados do Brasil, a Delegacia de Reforma Agrária, a Defensoria Pública, o Conselho Tutelar e demais entidades envolvidas com a questão agrária/fundiária para que se façam presentes durante as negociações e eventual operação de desocupação".
Tive o cuidado de fornecer essa lista exaustiva com o intuito de mostrar que tal condição simplesmente dilataria ou inviabilizaria o próprio cumprimento da decisão judicial. qualquer uma dessas entidades poderia dizer que não esta de acordo com um ou outro ponto, postergando indefinidamente sua execução.
Atente-se, na lista, a presença para o Incra e a própria Ouvidoria Agrária. Ora, essas entidades têm sistematicamente sido partes envolvidas nos processos, defendendo a posição dos ditos movimentos sociais, que são verdadeiras organizações políticas de caráter leninista, que contestam a economia de mercado, o direito de propriedade, o estado de direito e a democracia representativa. Seus modelos de sociedade são Cuba e a Venezuela de Chavez. O MST estaria, então, dos dois lados do balcão: como invasor e através de seus representantes em algumas dessas instancias.
Observe-se, ainda, que a cartilha contempla que todas essas instâncias participariam das "negociações" para o cumprimento de decisões judiciais. Ora, decisões judiciais são para serem cumpridas, e não negociadas por representantes indiretos dos próprios invasores ou por outras instancias do Executivo ou da sociedade. Teríamos aqui uma inovação "revolucionária": Q Ministério do Desenvolvimento Agrário e os por ele designados negociariam as condições de cumprimento ou não de um decisão judicial. Estariam "ocupai do", melhor dito, "invadindo" as funções próprias do Judiciário. Eis porque o manual chega a falar de "eventual operação de desocupação". De fato, ela se tornaria totalmente eventual, senão aleatória.
Outra obra-prima da cartilha di respeito a que a polícia não fará o "desfazimento de benfeitorias existentes no local ou a desmontagem de acampamento", salvo por decisão voluntaria dos "ocupantes", isto é dos invasores. A destruição de benfeitorias das propriedades pelos invasores é permitida, porém as supostas benfeitorias e acampamentos dos invasores devem permanecer intactas. Aqueles que foram invadidos deveriam manter intocadas as "obras' dos invasores, não podendo dispor integralmente de suas propriedades.
O festival de arbitrariedades parece não conhecer limites. Ainda na operação de "desocupação", a Polícia, perante os "negociadores", "dependerá de prévia disponibilização de apoio logístico, tais como assistência social, serviços médicos e transporte adequado, que devera ser solicitado, por ofício, à autoridade judicial competente". Por que não utilizar os próprios ônibus e automóveis que foram empregados pelos invasores? Por que não utilizar o apoio logístico da organização revolucionária? Por que o contribuinte deve pagar por isto?

DENIS LERRER ROSENELD é professor de filosofia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

28 de jul. de 2010

O 1º “Saloon” Automóvel no
.
Rio de Janeiro



e

.

o Palácio dos Desportos
.
em Lisboa







O jornal “O Globo” traz hoje um artigo muito interessante. O jornal completa amanhã, 29 de Julho, 85 anos e decidiu fazer uma crônica sobre acontecimentos no Rio de Janeiro, nessa época.
Entre 1 e 16 de Agosto de 1925 realizou-se aqui a Primeira Exposição de Automobilismo. Foi um sucesso!




Aproveitaram-se para o evento os Pavilhões de Portugal e Espanha que tinham sido construídos para a Exposição do Centenário da Independência do Brasil, e desde essa época desocupados!


O "Pavilhão" de Portugal na Exposição do Centenário
do Brasil


A Ford fez a maior festa: apresentou uma linha de montagem do seu Model T, que desmontou no fim da Exposição, mas assim mesmo, em 17 dias, montou algumas dezenas de carros! Além disso foi ela que usou o maior espaço de exibição com uma bonita coleção de outros modelos.






Diz o jornal que o navio que trazia os “aristocráticos” Hispano-Suiza se atrasou!

Um "aristocvrático (e carissimo!) Hipano-Suiza


Mas lá estavam entre outros os “Voisin”, da fábrica francesa Avions Voisin que nessa época eram também carros de luxo.


Os "Voisin" - Voitures de Rois !

A General Motors fez uma bela propaganda dos seus caminhões!

O caminhão GMC, carregado com duas toneladas de areia !


Pouco tempo depois, em 1929 o pavilhão de Portugal, construído com sobre estrutura metálica, foi desmontado e transportado para Portugal, reconstruído em Lisboa, no Parque Eduardo VII, em Lisboa, e chamado Palácio das Exposições. A sua abertura deu-se em 3 de Outubro de 1932 com a Grande Exposição Industrial Portuguesa.Em 1946 foi adaptado para ser o Pavilhão dos Desportos, onde se disputou, em 1947, o Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins – que Portugal venceu – e em 1984 trocou de nome para Pavilhão Carlos Lopes,


O bonito Palácio dos Desportes com seus azulejos

Este edifício, projetado pelos arquitetos Guilherme e Carlos Rebello de Andrade e Alfredo Assunção Santos, foi primeiramente construído no Brasil para a Grande Exposição Internacional do Rio de Janeiro, que abriu a 21 de Maio de 1923.Ainda me recordo de ter visto nesse Pavilhão, em Lisboa, talvez em 1940 ou 41, uma exposição com os prêmios que o jornal “O Século” – que Deus haja – mostrava ao público, e que seriam sorteados quando terminasse um concurso com figuras que se recortavam do seu jornal! Lembro-me que o primeiro prémio era um avião! Muito sonhei que esse avião me havia de sair!
E eu nem tinha idade para jogar!

N.- Imagens do jornal "O Globo" e do bolg "Lisboa Antiga"

28-jul-10

6 de jul. de 2010

O Paraíso Terreal



Sem crise, crescimento vertiginoso, big cacique com 80% de aprovação, terra sem vulcões nem terremotos nem tsunamis nem furacões, a maior reserva natural do mundo, e a perspectiva de ser governado por uma terrorista, mentirosa e “metida a macho”, não é necessário dizer qual é esse país da felicidade terrena.
Mas... alguns números e opiniões de técnicos e especialistas são de fazer inveja a qualquer alienígena:
Um dos números curiosos é que o país tem o sistema telefônico via celular mais caro do mundo! Com um custo 75% superior a Honduras o segundo mais caro, e 1.945% mais caro do que na Jamaica!
Em "O Globo" - 05/Julho/2010

Outro equilíbrio interessante entre as várias regiões paradisíacas: o gás, de consumo caseiro e industrial custa, no Rio de Janeiro, mais 37% do que em São Paulo, a capital da indústria e da finança nacional!
Como o paraíso paga os juros mais altos do mundo, o que, como é evidente, atrai capital especulativo a curto prazo, e com isto, para pagar esses juros vai-se aumentando a famosa dívida interna. Dívida essa que passa dos 61% do PIB nacional. (Um bomba relógio). A EU limita esse endividamento a 60%! E a previsão é que a taxa básica ainda aumente mais 2% até ao fim do ano!
É o melhor paraíso: emprestando dinheiro ao governo a mais de 10% ao ano... se tiver alguma poupança amealhada não precisa trabalhar!
Segundo o jornalista Elio Gaspari este paraíso “é um dos países onde mais se trabalha para sustentar o governo que, por sua vez, melhor remunera seus gordos credores. De uma lista de 135 países, o Estado paradisíaco, que tanto arrecada, disputa com o Turquemenistão a menor taxa de investimento do mundo.” UM dia, bomba relógio, o efeito Madoff vai bater-lhe à porta.
Para o eleitor ignorante anunciou-se e propalou-se aos sete ventos que o país finalmente pagara a dívida externa – leit motiv dos raivosos ataques da ex teórica esquerda – e que passou até a credor do FMI! Sensacional. Mas pagou como? Emitiu obrigações do Tesouro a cinco e dez anos, mundo afora, garantindo (?) pagamento de 6%, limpinhos, ao ano!
Além disso tem coisas que as minhas meninges não conseguem alcançar. Por exemplo: há dias fui comprar um medicamento. O atendente foi buscar a caixinha, passou no código de barras e eu li na tela do computador 49,75!!! Perguntei, pasmado: - 49 reais? – Não; isto é o desconto! – 49,75% de desconto é algo inimaginável, e assim mesmo as farmácias ganham brutalidades, porque finalmente o preço do medicamento ainda conseguiu ficar em mais do dobro do que nos EUA!
Mas também tem coisas “ótimas”: os medicamentos pagam, SÓ, 39% de impostos ao Estado!
Um automóvel produzido neste paraíso e exportado para a Argentina ou México é vendido nesses países por cerca de 30% menos do que na terra onde nasceu!
A média geral de impostos que os felizes habitantes deste Éden pagam é de 36,5% do PIB. Quase o mesmo do que a Noruega onde a saúde, a educação, a investigação, a... deixa p´ra lá!
Diz o big cacique no meio dos seus inflamados e ridículos discursos: “O povo tem que pagar impostos altos para termos um Estado rico”! Fantástica esta noção economia! Esqueceu Sua Sabedoria que a economia não se faz de impostos, muito pelo contrário, mas fomentando a produção, criando infra-estruturas e postos de trabalho em vez de distribuição de esmolas eleitoreiras.
E ainda surgiu em Portugal – ó pobre país! – um movimento para levar o big cacique para secretário Geral da ONU! Santa ignorância ou malvada subserviência, agora que o Éden está a crescer, à REVELIA DO GOVERNO ?
Acaba de cair da França um ministro que gastou, oficialmente doze mil euros em cigarros! Ou ele fumava muito, ou distribuía a convidados. Soube-se disso e o ministro... dançou.
Neste Paraíso a dança é outra. É a famosa dança da pizza, com distribuição de tanto dinheiro da roubalheira, que os “beneficiados” têm que transportar a grana escondida nas cuecas, nas meias, na carteira da deputeda, perdão, de-puta-da (o que é o mesmo!).
A nossa querida empresa monopolista petroleira tem um poderio financeiro incalculável e quase inesgotável. Precisa de conselheiros. Tudo amigalhaços: ministros, dirigentes sindicalistas e até a preposta candidata a substituir o big cacique. Como já têm ordenados – altos – do governo, vão ali buscar mais cinquenta mil dólares por mês para compensar a fadiga dos “conselhos”: reúnem-se uma vez por mês, quando...
Uma ONG, e eu não gosto muito de ONGs, calculou, há pouco tempo que neste Paraíso se desviam (palavra simpática para dizer roubam) todos os anos mais de 100.000.000.000, isso mesmo, mais de cem bilhões de dólares. O big cacique não vê, nem sabe de nada, os filhos e a camarilha ficam podres de ricos, os sindicatos são “abastecidos” com verbas do governo, criam-se milhares, centenas de milhares de cargos públicos altamente remunerados, e assim mesmo o país cresce. Só nester ano o big chefe encontrou lugar para mais 37.000 – isso, trinta e sete mil – comparsas que endividam mais o Estado em cerca de $ 2 bilhões de reais por ano! Mas são mais 37.000 votos a favor!
Às vésperas das eleições Sua Indecência distribuiu mais meio bilhão de reais! COMO? 50% para o partido do governo e o que o apóia. Para o da oposição... 0,5% !
Aqui se desenvolveu o mais moderno sistema de urnas de votação. Eletrônico! Foi um sucesso quando apareceu, mas NENHUM outro país do mundo comprou o sistema! Porquê? Basta alterar o programinha que os votos mudam de canal!!!
Assim mesmo o país cresce. Não admira. As entidades privadas sabem que este Paraíso é do tamanho de um continente, que tem milhões e milhões de hectares de terras agricultáveis, que é rica em minério e agora em petróleo, e, com governo ou sem ele, fazem “acontecer”. E o país cresce.
Até quando?

Nota: no texto anterior vê-se o big chefe respondendo a perguntas sobre infra-estrutura, desenvolvimento e juros altos!
 
5-jul-10